Tudo sobre Inteligência Artificial
Executivos influentes do setor de inteligência artificial (IA) recuaram em suas previsões alarmistas. E começaram a moderar o tom sobre o risco de desemprego em massa causado pela tecnologia. A mudança de postura ocorre num cenário de resistência pública às transformações no mercado de trabalho. Também coincide com o período em que grandes empresas do setor se preparam para possíveis aberturas de capital na bolsa de valores.
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Líderes de companhias como Nvidia e OpenAI agora apontam que os alertas apocalípticos foram exagerados ou oportunistas. Eles têm contestado a narrativa de que demissões recentes no mercado corporativo estejam ligadas diretamente ao avanço dessas ferramentas.
Apesar de cortes estruturais pontuais anunciados por bancos e empresas de tecnologia, grandes instituições econômicas globais indicam que, até o momento, o impacto real da IA sobre a oferta de postos de trabalho permanece limitado.
Executivos de tecnologia criticam o uso da IA como justificativa para cortes de vagas
Em entrevista à emissora Channel News Asia, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, criticou líderes corporativos que associam demissões recentes à IA. “A narrativa que vincula a IA à perda de empregos, para muitos CEOs, é simplesmente conveniente demais”, afirmou Huang.
O executivo questionou a lógica de empresas que justificam cortes antigos com uma tecnologia que se tornou verdadeiramente útil há apenas seis meses. “Era apenas uma forma de parecerem espertos, e eu detesto isso profundamente. Estamos assustando as pessoas de forma irresponsável”, disse Huang.

Mesmo com as críticas de Huang, o mercado registra movimentações que utilizam a automação como justificativa para reestruturações. Em abril, a controladora do Snapchat eliminou mil vagas de trabalho sob a alegação de buscar rentabilidade e eficiência operacional através da IA, por exemplo.
Paralelamente, o banco britânico Standard Chartered anunciou planos para cortar milhares de funções administrativas até 2030. Na contramão dessas decisões, o Banco Central Europeu e a maior parte das entidades econômicas avaliam que os efeitos práticos da tecnologia no desemprego global ainda são restritos.
O movimento de recuo foi acompanhado pelo CEO da OpenAI, Sam Altman. Ele admitiu publicamente o erro em suas projeções anteriores durante uma conferência em Sydney. “Eu achei que já teríamos visto um impacto maior sobre cargos executivos de nível inicial do que realmente ocorreu”, disse Altman, segundo o jornal The Australian.
O líder da desenvolvedora do ChatGPT demonstrou que revisou suas expectativas sobre o mercado de trabalho. “Hoje entendo melhor por que isso não aconteceu, felizmente. Minhas intuições nessa área estavam erradas”, disse o executivo.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, suavizou seu discurso ao projetar que, mesmo num cenário de 90% de automação, os 10% restantes de trabalhadores humanos seriam muito mais produtivos com o suporte tecnológico.
Essa moderação de tom por parte da OpenAI e da Anthropic ocorre estrategicamente no momento em que ambas planejam suas possíveis aberturas de capital (IPOs) na bolsa. Contudo, o debate técnico sobre o futuro do emprego permanece ativo.
“Podemos estar nos aproximando da reorganização do trabalho mais importante em gerações”, afirmou a governadora do Federal Reserve, Lisa Cook, em discurso na Universidade Stanford ao alertar que as perdas iniciais de postos podem anteceder os ganhos econômicos prometidos.
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(Essa matéria usou informações da AFP.)
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.
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