O novo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, classificou como crítica a situação de Dourados (MS), município que decretou estado de emergência devido ao avanço dos casos de chikungunya. Sua visita à cidade reforçou a necessidade de uma resposta coordenada à crise de saúde pública que afeta a região.
Cenário Epidemiológico e Resposta Governamental
Eloy Terena enfatizou a responsabilidade coletiva na gestão da saúde e na proteção de vidas humanas. 'Não estamos aqui para dizer que a responsabilidade era do município, do governo estadual ou do governo federal. Estamos aqui para reconhecer esta situação crítica. Portanto, não temos uma posição negacionista e vamos enfrentá-la', declarou o ministro, sinalizando um compromisso federal diante da emergência.
Números da Doença e Vítimas
Desde janeiro até o início de abril, Mato Grosso do Sul registrou 1.764 casos confirmados de chikungunya, com 1.893 em análise. Dourados concentra a maior parte dos registros no estado, com 759 casos prováveis, incluindo 37 gestantes. A doença tem afetado gravemente a população, especialmente as comunidades indígenas locais.
Dos sete óbitos confirmados em todo o estado, cinco ocorreram na Reserva Indígena de Dourados, sendo dois deles em crianças com menos de quatro meses de vida. Os outros dois falecimentos foram registrados em Bonito e Jardim, evidenciando a vulnerabilidade particular da reserva indígena.
Medidas Urgentes e Destinação de Recursos
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu a situação de emergência em Dourados em 30 de março, após decreto municipal. Em resposta, o governo federal anunciou uma série de medidas para combater o mosquito Aedes aegypti, interromper a transmissão da doença e aprimorar o atendimento aos pacientes, com foco prioritário na reserva indígena.
Ações de Apoio e Mobilização de Equipes
Para o combate à chikungunya, foram destinados cerca de R$ 3,1 milhões em recursos federais para Dourados. Desse montante, R$ 1,3 milhão será para socorro e assistência humanitária, R$ 974,1 mil para limpeza urbana e remoção de resíduos, e R$ 855,3 mil para vigilância, assistência e controle da doença. Os fundos já estão nas contas estaduais e municipais para contratações emergenciais de bens e serviços.
Agentes da Força Nacional do SUS foram deslocados para integrar uma força-tarefa multidisciplinar, que inclui servidores da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Adicionalmente, o Ministério da Saúde contratará e capacitará 50 agentes de combate a endemias, com 20 iniciando prontamente, e contará com o apoio de 40 militares do Ministério da Defesa para reforçar o atendimento e controle vetorial.
Desafios Contínuos e Perspectivas
Apesar dos esforços, Juliana Lima, representante da Força Nacional do SUS, destacou que o cenário epidemiológico permanece dinâmico nas aldeias Bororó e Jaguapiru da Reserva Indígena Dourados. 'Não estamos conseguindo ainda afirmar se há uma diminuição ou um aumento [do número de casos] nesta ou naquela aldeia. Mas fazemos o monitoramento, os registros, diariamente', explicou, indicando a necessidade de priorização contínua dos atendimentos.
Eloy Terena também cobrou da prefeitura de Dourados maior atenção à coleta de lixo na Reserva Indígena, considerada 'sui generis' por ter sido englobada pela área urbana crescente do município. A gestão de resíduos é crucial para o controle do Aedes aegypti e a prevenção de novas infecções, conforme apontado pelo ministro.


