O resultado da eleição presidencial brasileira poderá determinar os rumos da relação do país com os Estados Unidos e a posição do Brasil na disputa geopolítica entre americanos e chineses. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o cientista político Pedro Costa, doutor em Ciência Política pela USP, avaliou que uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) tende a aproximar o Brasil do governo de Donald Trump, enquanto a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá abrir um novo período de pressões americanas sobre o país. Na avaliação do especialista, o interesse dos Estados Unidos nas reservas brasileiras de minerais estratégicos é um dos principais fatores por trás dos diferentes cenários. (este texto é um resumo do vídeo acima)
Por que o Brasil é tão importante para Trump?
Segundo Pedro Costa, a política externa de Trump busca recuperar a influência dos Estados Unidos sobre a América Latina como parte da estratégia de contenção da China. O cientista político relaciona esse movimento a uma releitura da Doutrina Monroe, que ele identifica como um dos fundamentos da atual atuação americana na região. Nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição central tanto por sua importância econômica e territorial quanto por suas reservas de terras raras e minerais críticos.
“O Brasil está na principal esquina da geopolítica global”, afirmou Costa. De acordo com o especialista, esses recursos são fundamentais para a produção de equipamentos tecnológicos, veículos elétricos e sistemas militares, o que amplia seu valor estratégico na competição entre Washington e Pequim. Na avaliação dele, o acesso às reservas brasileiras tornou-se um elemento decisivo para os interesses americanos, sobretudo diante da posição da China no mercado desses minerais.
O que muda se Flávio Bolsonaro vencer?
Na avaliação de Pedro Costa, uma vitória de Flávio Bolsonaro representaria um alinhamento mais estreito do Brasil com os Estados Unidos e um distanciamento da China e dos Brics. O cientista político destacou que o candidato do PL já apresentou, durante uma conferência de grupos conservadores no Texas, sua disposição de estabelecer uma parceria com Washington para a exploração de minerais estratégicos brasileiros.
Segundo Costa, Flávio demonstrou compreender a importância das terras raras para a disputa entre as duas maiores potências econômicas. O especialista também mencionou a possibilidade de Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato, assumir o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo do PL. Ele ressaltou, porém, que essa hipótese circula nos bastidores e não representa uma escolha confirmada.
Para o entrevistado, a aproximação com Trump não se limitaria ao comércio de minerais. Um governo Flávio Bolsonaro poderia inserir o Brasil de maneira mais direta no projeto de influência americana sobre a América Latina, identificado por Costa como “Escudo das Américas”. Nesse cenário, o cientista político prevê uma política externa mais alinhada aos interesses de Washington e menos próxima dos parceiros internacionais privilegiados pelo atual governo.
Como Trump reagiria a uma vitória de Lula?
O cenário seria diferente caso Lula conquistasse a reeleição. Pedro Costa avalia que Trump tenderia a intensificar a pressão diplomática e política sobre o Brasil, especialmente diante da resistência do governo petista a uma aproximação estratégica nos termos defendidos pelos Estados Unidos. Para o cientista político, a manutenção de Lula no poder representaria um obstáculo à expansão da influência americana sobre a região.
Costa também prevê que uma vitória apertada do presidente poderia desencadear uma nova fase de contestação política interna, acompanhada de questionamentos sobre o resultado eleitoral. “Nós vamos começar uma espécie de terceiro turno aqui no Brasil”, afirmou. Na avaliação do entrevistado, poderiam surgir acusações de fraude, apesar das manifestações favoráveis de Trump sobre a confiabilidade do sistema eletrônico de votação brasileiro.
O cientista político acrescentou que Lula enfrentaria dificuldades não apenas na relação com Washington, mas também na articulação com um Congresso de maioria conservadora, conforme sua avaliação. Nesse cenário, a divisão do eleitorado e a resistência parlamentar poderiam limitar a capacidade de negociação do presidente. Costa prevê ainda que Trump continuaria pressionando o Brasil para aderir à estratégia americana de influência sobre a América Latina.
Qual será o papel das terras raras nessa relação?
Para Pedro Costa, o Brasil ocupa uma posição estratégica na disputa entre Estados Unidos e China por concentrar a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas dos chineses. Segundo o cientista político, o país reúne entre 23% e 25% das reservas conhecidas, mesmo tendo apenas 26% a 27% de seu território mapeado. Na avaliação dele, esse potencial de exploração pode colocar o Brasil à frente da China, que atualmente concentra cerca de metade das reservas mundiais, conforme os números apresentados pelo especialista.
Esses minerais são essenciais para a fabricação de equipamentos tecnológicos, como celulares, computadores e veículos elétricos, mas também para a indústria militar, incluindo mísseis, drones e sistemas de defesa. Costa afirma que os Estados Unidos dependem do acesso a essas matérias-primas para competir com a China, o que torna o Brasil uma peça central na estratégia geopolítica de Washington.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
Fonte: Abril


