Conferência debate futuro da saúde pública em Teresópolis
A 16ª Conferência Municipal de Saúde de Teresópolis, na Região Serrana do Rio, aprovou propostas voltadas ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) no município. Entre as medidas estão ações para ampliar o acesso aos serviços de saúde, reforçar a participação popular, enfrentar os impactos das mudanças climáticas e aumentar a transparência na aplicação dos recursos públicos.
O encontro reuniu profissionais da saúde, representantes do poder público e da sociedade civil para debater os principais desafios da rede municipal e definir diretrizes que poderão orientar o planejamento das políticas públicas.
Entre os temas discutidos estiveram o aumento dos casos de tuberculose e de sífilis entre mulheres, os impactos das enchentes e das moradias precárias na saúde da população e a relação entre vulnerabilidade social, degradação ambiental e doenças como tuberculose e hanseníase.
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Evento reuniu profissionais, representantes do poder público e da sociedade civil.
Juliana Guzzo/g1
Os participantes também debateram o chamado racismo ambiental e os efeitos das desigualdades territoriais sobre a saúde. Uma das propostas aprovadas prevê que a população tenha acesso aos serviços de saúde, incluindo atendimento médico e hospitalar, no próprio território onde vive, por meio de políticas públicas adaptadas às necessidades de cada região.
Na área de vigilância em saúde, a conferência propôs o fortalecimento das ações de prevenção e controle de zoonoses, com a incorporação de médicos veterinários à rede pública.
Também foram aprovadas medidas para fortalecer o controle social do SUS, como a criação ou reativação de Conselhos Locais de Saúde e Comissões Locais de Usuários, além de incentivar maior participação da população nas decisões sobre a política de saúde.
Outra proposta é ampliar a transparência da gestão, por meio da criação de um painel público com informações sobre orçamento, execução financeira, contratos, licitações, repasses e emendas parlamentares.
As mudanças climáticas também estiveram entre os principais temas da conferência. Os participantes defenderam a criação de ações permanentes de educação e prevenção, além da integração entre as secretarias de Saúde, Defesa Civil, Assistência Social, Meio Ambiente e Educação para o enfrentamento de eventos extremos.
Foi proposta ainda a criação de um Mapa Integrado de Vulnerabilidade Socioambiental e Sanitária da Região Serrana, reunindo informações sobre áreas de risco, condições de saúde da população e comunidades em situação de vulnerabilidade.
O fortalecimento da Atenção Primária foi apontado como prioridade, com sugestões de ampliar ações preventivas, busca ativa de pacientes, visitas domiciliares, atendimento descentralizado e monitoramento das áreas com maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde.
Entre as moções apresentadas estão a ampliação do número de psicólogos, nutricionistas, educadores físicos, médicos veterinários, técnicos, agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.
Os participantes também defenderam o aumento da oferta de atendimento psicológico às vítimas da tragédia climática de 2011. Outra proposta prevê a inclusão, no cadastro dos pacientes, de informações sobre pessoas afetadas por desastres naturais, com o objetivo de criar uma base de dados para orientar políticas públicas específicas.
A conferência ainda aprovou propostas para a criação de uma Clínica da Dor, de um Centro de Geriatria, de um serviço de Cuidados Paliativos e da implantação de um serviço municipal de fisioterapia.
A médica sanitarista Edneia Martuchelli, secretária-executiva da 16ª Conferência Municipal de Saúde de Teresópolis, destacou a importância da participação popular na construção das políticas públicas.
“A Conferência é fundamental para construirmos uma saúde mais democrática na cidade e que atenda às necessidades dos moradores”, afirmou.
Novo Conselho Municipal de Saúde
Durante a conferência também foram definidos os novos representantes do Conselho Municipal de Saúde e os delegados que representarão Teresópolis na Conferência Estadual de Saúde.
O evento contou com a participação de representantes de instituições da sociedade civil, igrejas, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), associações de moradores, profissionais da saúde e secretarias municipais.
As propostas aprovadas serão encaminhadas para as próximas etapas de discussão e poderão orientar o planejamento das políticas públicas de saúde do município, com foco na ampliação do acesso aos serviços, na participação popular e na preparação da rede para enfrentar os impactos sociais, ambientais e climáticos.

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