A intensificação das operações e ordens de evacuação por parte de Israel no Líbano resultou no deslocamento de 667 mil pessoas de suas residências em apenas uma semana. Este conflito envolve também o grupo xiita Hezbollah, gerando uma crise humanitária significativa na região. A Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) estimou este número com base em registros governamentais libaneses, observando um aumento de mais de 100 mil deslocados em apenas um dia, com a contagem ainda em ascensão.
Violações e Acusações de Direitos Humanos
A organização não governamental Human Rights Watch (HRW) acusa Israel de utilizar fósforo branco em áreas residenciais do sul do Líbano, especificamente na cidade de Yohmor. Esta substância, militarmente empregada para cortinas de fumaça ou iluminação de alvos, é proibida pelo direito internacional para uso em áreas civis devido aos ferimentos graves e incêndios de difícil controle que provoca.
Em resposta, autoridades israelenses, em contato com a Reuters, afirmaram desconhecer as alegações da HRW e não confirmaram o uso de fósforo branco em regiões civis.
O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos alertou que mais de 100 cidades e vilarejos libaneses, habitados por dezenas de milhares de pessoas, receberam ordens de evacuação de Israel. Tais medidas podem configurar deslocamento forçado, prática estritamente proibida pelo direito internacional humanitário.
O comunicado da ONU enfatiza que o vasto alcance dessas ordens de deslocamento 'torna muito difícil o cumprimento por parte da população, questionando sua eficácia, um requisito do direito internacional humanitário, além de correr o risco de configurar deslocamento forçado proibido'.
O governo israelense também recomendou a evacuação completa de quase toda a periferia sul de Beirute e do Vale do Bekaa, no leste do Líbano. Estima-se que 100 mil indivíduos estejam atualmente abrigados em 469 centros de acolhimento espalhados pelo país.
Adicionalmente, a Acnur calculou que aproximadamente 78 mil sírios, que residiam no Líbano, retornaram à Síria buscando refúgio da escalada do conflito.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reportou que 43 centros de atenção primária à saúde e dois hospitais foram fechados como consequência das ordens de evacuação em suas respectivas áreas.
Posições das Partes Envolvidas
Israel justifica suas ordens de evacuação como medidas necessárias para mitigar os efeitos de ataques contra civis. As Forças de Defesa de Israel (FDI) declararam manter 'o compromisso com a precisão e a mitigação de danos a civis, emitindo alertas de evacuação para áreas próximas à infraestrutura do Hezbollah'.
Por sua vez, o Hezbollah argumenta que suas ações contra Israel são uma retaliação legítima e de autodefesa, respondendo a ataques que persistiram por 15 meses, mesmo durante a vigência de um cessar-fogo estabelecido em novembro de 2024.
Em resposta à 'criminosa agressão israelense' contra cidades libanesas e os subúrbios de Beirute, uma série de ataques do Hezbollah atingiu a cidade de Khian, em Israel, conforme informado pelo grupo libanês.
Contexto da Escalada e Relações Regionais
A escalada do conflito no Líbano se intensificou após o grupo político-militar Hezbollah retomar os ataques a posições israelenses. O grupo alega que a ação é uma resposta ao assassinato do líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, e retaliação por violações do cessar-fogo acordado em novembro de 2024.
Apesar do acordo de cessar-fogo, Israel tem realizado ataques e incursões militares em território libanês. O governo israelense justificou essas operações nos últimos meses como uma estratégia para atingir alvos do Hezbollah e prevenir sua recuperação militar.
A fase atual do embate entre o Hezbollah e Israel teve início com a guerra na Faixa de Gaza, quando o grupo libanês começou a lançar ataques contra o norte de Israel em solidariedade ao povo palestino.

