O espaço histórico Osoca, na cidade de Cavalcante (GO), outrora uma cadeia pública e palco de violências contra pessoas escravizadas, foi ressignificado pela arte e cultura. Durante o feriadão de 4 a 7 de junho de 2026, o local abrigou a 4ª Mostra Afro Cena e a 3ª Mostra de Teatro Afro Cena, celebrando a identidade e a resistência quilombola no Território Kalunga, o maior do Brasil.
O Significado da Transformação
Fátima Tertuliano, uma das coordenadoras do evento, destaca a relevância da iniciativa para a comunidade de Cavalcante, uma cidade desprovida de teatros ou equipamentos culturais dedicados às artes cênicas. Ela afirma que 'é um evento que representa muito porque amplia o acesso à arte e à cultura, fortalecendo a identidade local, gerando oportunidades e aproximando as pessoas da arte'.
A escolha do Osoca, sigla para 'Obras Sociais da Paróquia da Senhora Sant'Ana de Cavalcante', é deliberada. Edymara Diniz, também coordenadora, explica que o objetivo não é apagar o passado, mas confrontá-lo. 'Ao trazer o teatro negro para esse espaço, afirmamos que um local que já foi cenário de dores pode se ressignificar por meio da arte', pontua. O prédio, que no passado funcionou como guilhotina e depois como cadeia pública, hoje é palco de ações sociais e eventos culturais, valorizando a memória coletiva da cidade.
Destaques da Programação
A programação da Mostra, que se estendeu de quinta-feira (4) a domingo (7), foi rica em espetáculos, apresentações musicais, oficinas, rodas de conversa e atividades formativas.
Quinta-feira: Celebração da Produção Local
O primeiro dia do evento celebrou a produção local com a participação de artesãos, cozinheiras, artistas, estilistas e empreendedores culturais negros e quilombolas. As apresentações musicais incluíram a Pequena Orquestra de Cavalcante, a Curraleira Engenho 2, a Dança Sussa Kalunga e o cantor quilombola Allexy Nerys.
De Sexta a Domingo: Teatro e Performance
Durante o final de semana, a Mostra de Teatro Afro Cena apresentou destaques como o espetáculo Danúbio (DF), o Sarará Crioulo, encenado por artistas de Cavalcante e do Quilombo Kalunga, o recital Vozes Negras, vindo de Salvador (BA), e a performance Ancestrais a Benção, de um coletivo de mulheres negras e indígenas de Goiás.


