
Os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), Fábio Teruel (MDB-SP), Gustavo Gayer (PL-GO), Erika Hilton (PSOL-SP) e André Janones (Rede-MG)
Montagem g1: Reprodução
Políticos de direita concentraram mais da metade das interações nas redes sociais entre os 15 deputados federais com maior presença digital do Brasil, mostra levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados feito a pedido do g1.
O estudo mostra que cinco deputados de direita responderam por 52,6% das 865 milhões de interações registradas entre fevereiro e abril de 2026. O grupo teve média de 137 mil interações por publicação, mais que o dobro da registrada pelos deputados de esquerda (65 mil). Os políticos de centro concentraram 27,1% das interações, enquanto a esquerda respondeu por 20,3%.
Entre os parlamentares analisados, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) lidera com ampla vantagem o Índice de Relevância nas Redes (IR² Nexus), criado para medir o desempenho digital dos parlamentares. O mineiro alcançou 80,29 pontos, mais que o dobro da pontuação do segundo colocado, Fábio Teruel (MDB-SP), que registrou 35,92 pontos. Gustavo Gayer (PL-GO) aparece em terceiro lugar, com 25,81 pontos, seguido por Erika Hilton (PSOL-SP), com 22,13, e André Janones (Rede-MG), com 18,23.
O levantamento analisou a presença digital de 15 deputados federais entre 1º de fevereiro e 30 de abril de 2026 nas plataformas Instagram, X (antigo Twitter), Facebook, YouTube e TikTok. O grupo reúne cinco parlamentares de direita, cinco de centro e cinco de esquerda.
O índice considera quatro critérios:
Frequência de publicações;
Volume de interações;
Número de seguidores;
Média de interações por postagem.
Cada plataforma recebe um peso diferente no cálculo, de acordo com sua relevância estratégica.
Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados mapeia relevância de deputados nas redes
Arte/g1
Vídeo impulsiona alcance
O levantamento mostra que as redes sociais baseadas em vídeos curtos e em formato vertical se consolidaram como os principais motores de alcance entre os parlamentares analisados.
No YouTube, por exemplo, os deputados de direita registraram média de 204 mil interações por publicação, contra 38 mil dos parlamentares de centro e apenas 5 mil da esquerda. Já no Facebook, o melhor desempenho proporcional foi do centro, impulsionado pelo conteúdo religioso de Fábio Teruel e pelas publicações sobre segurança pública de Delegado Palumbo.
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A principal exceção é o X. Na plataforma, a disputa entre direita e esquerda aparece muito mais equilibrada. Enquanto a esquerda registrou média de 107 mil interações por postagem, a direita alcançou 99 mil. Segundo a Nexus, esse desempenho foi impulsionado principalmente pelos conteúdos publicados por Erika Hilton sobre misoginia, transfobia e direitos trabalhistas.
Não existe uma fórmula única
Embora Nikolas Ferreira lidere o ranking geral, a pesquisa conclui que não há um único caminho para construir relevância digital.
Segundo a Nexus, Nikolas alcança altos índices de engajamento mesmo publicando menos que concorrentes diretos. A estratégia do deputado é baseada em críticas ao governo Lula (PT), debates sobre valores familiares, alegadas perseguições institucionais e críticas à carga tributária.
Nas publicações, palavras como “Brasil”, “Lula”, “Moraes”, “Deus”, “salvar”, “verdade”, “acorda” e “povo” aparecem com frequência. Além da alta eficiência, o deputado reúne uma das maiores bases de seguidores entre os parlamentares analisados: 22 milhões no Instagram, 22 milhões no Facebook, 5,5 milhões no X, 9 milhões no TikTok e cerca de 2 milhões de inscritos no YouTube.
Mas outros parlamentares alcançam grande repercussão por caminhos diferentes. Fábio Teruel consolidou uma audiência fiel com transmissões de orações e mensagens religiosas. Gustavo Gayer apostou em grande volume de publicações e em uma narrativa de confronto ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Erika Hilton concentrou a comunicação em pautas de direitos civis e trabalhistas. Delegado Bruno Lima construiu uma comunidade em torno da proteção animal, enquanto André Janones ganhou tração com denúncias e publicações de forte apelo popular.
“Os números mostram que o usuário de cada plataforma mobiliza a rede de uma maneira e em torno de narrativas diferentes. No YouTube, o público respondeu com mais intensidade aos conteúdos de embate institucional publicados por parlamentares de direita. No X, esquerda e direita praticamente empatam em eficiência, com leve vantagem para as pautas de direitos civis e trabalhistas da esquerda. E, no Facebook e Instagram, observamos audiências mobilizadas por temas específicos, religião, proteção animal e segurança pública, que engajam independentemente do posicionamento partidário do parlamentar”, analisa o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.
Como cada parlamentar construiu audiência
Líder na pontuação, Nikolas foi o parlamentar mais relevante no Instagram, X e TikTok. Embora tenha publicado apenas 47 posts no Instagram, somou 62,5 milhões de interações na plataforma e 184 milhões no trimestre.
Fábio Teruel, que ficou em segundo lugar, liderou Facebook e YouTube graças a conteúdos religiosos, registrando 29,2 milhões de interações e média de 37,9 mil por publicação. Sem perfil no X, praticamente não participa do embate político direto.
Gustavo Gayer, que está em terceiro, foi quem acumulou o maior volume absoluto de interações do levantamento: 258 milhões. Foram 1.355 publicações no período, concentradas principalmente no YouTube (109 milhões de interações) e no TikTok (20 milhões).
Erika Hilton aparece na quarta posição. O desempenho da deputada é impulsionado principalmente pelas pautas de direitos civis. No X, registrou 49,9 milhões de interações e publicou o conteúdo com mais engajamento da plataforma, com 2,07 milhões de interações.
André Janones fecha o grupo dos cinco primeiros, com 18,23 pontos, apostando em publicações rápidas, denúncias e chamadas de urgência voltadas à mobilização dos seguidores.
“O levantamento mostra que não existe uma fórmula única para um parlamentar bombar. O que observamos são diferentes caminhos para alcançar relevância: há quem mobilize o público pelo embate político, quem construa comunidades em torno da fé, da segurança pública, da proteção animal ou de pautas de direitos civis. O fator comum é a capacidade de criar identificação e engajamento recorrente com uma audiência específica”, explica o CEO da Nexus.


