Em São Paulo, milhares de mulheres enfrentaram a forte chuva neste domingo (8) para marcar o Dia Internacional da Mulher com um ato que reuniu demandas cruciais por direitos e justiça. A caminhada, que partiu da Avenida Paulista em direção à Praça Roosevelt, ecoou em diversas cidades brasileiras, enfatizando o combate à violência de gênero e a necessidade de melhores condições trabalhistas.

Combate à Violência Contra a Mulher e Feminicídio

As manifestantes, entoando cânticos como “Ô abre alas, que as mulheres vão passar”, levantaram faixas que clamavam pelo fim da violência contra a mulher no Brasil. A pauta ressaltou a urgência de orçamento público e medidas efetivas para o combate ao feminicídio, criticando a ausência de avanços concretos nas esferas Executiva, Judiciária e Legislativa.

Intervenções simbólicas marcaram o ato na Avenida Paulista, como a instalação de sapatos femininos representando as vítimas de feminicídio. Outra instalação, em frente ao Fórum Pedro Lessa, utilizou bonecas para chamar atenção às crianças que sofrem com a misoginia, mencionando um caso judicial controverso sobre a “quase legalização da pedofilia no judiciário”, conforme destacou Alice Ferreira, coordenadora do Levante Mulheres Vivas.

Demandas por Legislação e Efetividade

Alice Ferreira sublinhou a importância de aprovar um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que visa tipificar a misoginia como crime, definindo-a como conduta de ódio contra as mulheres. Ela alertou sobre a discrepância na internet, onde discursos feministas são boicotados enquanto narrativas misóginas, como as do movimento 'red pill', são impulsionadas. A situação é alarmante, com o estado de São Paulo registrando um recorde de 270 feminicídios em 2025, um aumento de 96,4% em comparação com 2021, evidenciando a gravidade do cenário.

Pela Redução da Jornada de Trabalho e Fim da Escala 6×1

Além do fim da violência, o movimento em São Paulo também defendeu o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada laboral. Essa reivindicação é considerada vital para as mulheres, que frequentemente enfrentam uma dupla jornada, equilibrando o trabalho remunerado com as responsabilidades de cuidado e domésticas.

Luana Bife, da direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo, explicou que o fim da escala 6×1 oferece mais do que apenas descanso; representa um período para autocuidado e para as mulheres decidirem como desejam viver. A ativista reforçou que essa é uma pauta fundamental para a soberania e autodeterminação feminina, e para enfrentar problemas como a violência contra as mulheres, são necessárias políticas públicas permanentes.

Unidade em Prol de Políticas Públicas Permanentes

O ato, intitulado “Em Defesa da Vida das Mulheres”, demonstrou a força da união de diversos movimentos sociais e sindicais, incluindo a União Nacional por Moradia Popular, o Movimento de Mulheres Camponesas, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Marcha Mundial das Mulheres, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), evidenciando a amplitude e a transversalidade das pautas femininas.

Luana Bife reiterou a importância de políticas públicas firmes e permanentes para o combate às violências contra mulheres e meninas, que independam de governos específicos. Segundo a ativista, essas ações são essenciais para garantir a defesa da vida e os direitos de todas as mulheres.

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