O diesel russo está de volta à rota de importação do Brasil. Um navio transportando combustível de origem russa já tem atracação prevista no porto de Santos, enquanto uma nova oferta para entrega em Paranaguá, no Paraná, no início de novembro, foi identificada pela S&P Global Platts. O movimento ocorre em meio à reviravolta promovida por Donald Trump, que fechou um acordo com Vladimir Putin para ampliar o fornecimento de diesel russo ao mercado internacional.
Segundo levantamento da Platts divulgado na sexta-feira, 9, o diesel S10 russo foi oferecido para entrega em Paranaguá com preço vinculado à cotação americana de dezembro, acrescida de 10 centavos de dólar por galão. O relatório também aponta a retomada dos fluxos do combustível russo ao Brasil, com uma embarcação confirmada na programação de Santos. Os volumes e compradores das cargas ainda não foram identificados.
O retorno das ofertas acontece após meses de forte dependência do diesel americano. Com a redução das exportações russas, afetadas por ataques às refinarias e restrições impostas por Moscou, os Estados Unidos passaram a responder por cerca de 80% do diesel importado pelo Brasil em setembro, segundo representantes do setor.
Na sexta-feira, Trump anunciou um entendimento com Putin para liberar até 4,8 milhões de toneladas de diesel russo ao mercado mundial, em diferentes etapas. O governo americano também suspendeu temporariamente determinadas sanções sobre transações com o combustível, por meio de autorização válida até abril de 2027.
A mudança ocorre justamente quando o governo brasileiro anunciou uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro de diesel importado, elevando para até R$ 3,52 por litro o auxílio previsto para operações enquadradas nas regras do programa. A medida, com duração anunciada de 30 dias, pretende assegurar o abastecimento diante da pressão internacional sobre a oferta.
Ainda não há confirmação de que as operações identificadas pela Platts tenham sido contratadas em decorrência do acordo entre Washington e Moscou. Mas a retomada dos fluxos russos oferece uma alternativa ao mercado brasileiro, em um momento de disputa internacional pelo combustível.
Fonte: Abril


