As investigações do Banco Master vão completar, na próxima semana, dois meses paradas no gabinete do presidente do STF, ministro Edson Fachin.
A crise envolve o escândalo sobre relações supostamente criminosas do banqueiro Daniel Vorcaro com parlamentares da Câmara e do Senado, integrantes do governo Lula e da oposição bolsonarista, além de magistrados de diferentes tribunais.
No dia 1º de setembro, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelava mensagens do banqueiro supostamente enviadas ao ministro Alexandre de Moraes.
O conteúdo das conversas, feitas a partir de imagens de visualização única no WhatsApp, levantou suspeitas de que o ministro do Supremo tenha atuado como conselheiro e informante do banqueiro no período em que Vorcaro lutava para escapar de investigações e barrar uma eventual prisão.
Moraes refutou as acusações, disse ser alvo de medidas ilegais por parte de Mendonça e revelou a existência de relatórios de inteligência da PF que teriam monitorado ilegalmente o gabinete do relator do caso Master.
Diante da gravidade dos fatos, uma guerra se abriu no STF — evidente na sessão histórica de acusações entre os pares —, com o tribunal dividido sobre investigar ou não os fatos citados no relatório da PF.
Uma ordem de afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, chegou a ser emitida por Mendonça e depois anulada por Flávio Dino.
Na esteira desse caso, ministros do Supremo determinaram a retirada do sigilo das investigações do Master, que foram amplamente divulgadas. Além disso, os ministros da Corte solicitaram a íntegra do material encontrado pela PF no celular de Vorcaro.
As revelações surgidas do aparelho ampliaram a crise, lançando suspeitas sobre outros integrantes do tribunal e outros políticos importantes da República.
Para tentar controlar a situação, o presidente do STF assumiu temporariamente a relatoria do caso Master e anulou as decisões sobre o chefe da PF. Nesta semana, Fachin disse que só liberará o processo do Master em noventa dias.
Nesse período, espera-se que o ministro Flávio Dino, que pediu vista sobre um pedido de abertura de investigação envolvendo Moraes, devolva o caso ao plenário.
O tribunal ainda deve decidir como serão investigados os fatos envolvendo ministros da Corte e até investigadores citados nas mensagens do dono do Master.
Fonte: Abril

