A estratégia digital do deputado federal André Janones (Rede-MG), que se tornou o “general” do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, rompeu fronteiras e chamou a atenção de políticos de outros países. Partidos de esquerda da Europa já criaram canais de comunicação com os eleitores nos mesmos moldes da guerrilha lulista, inclusive adaptando expressões como “explode” e “urgente”, massificadas pelo parlamentar mineiro.
Janones já teria sido até convidado para trabalhar na campanha do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol. O canal ganhou o nome de “La Fuerza de la Gente” (“a força do povo”, em tradução livre). Adversária do mandatário no pleito marcado para 29 de novembro, Ada Colau, da Frente Ampla, seguiu a mesma toada e busca mobilizar eleitores com “missões” — outro termo repisado por Janones — pelo canal “Frenteamplistas”.
Na Argentina, a oposição ao governo do ultraliberal Javier Milei — a quem Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula, agradeceu pela ajuda para sair escondido do Brasil e embarcar com a família em um jatinho particular para o Equador, de onde enfim seguiram ao destino final em Miami, nos Estados Unidos — se organiza agora no canal “Ejército del Peronismo” (“exército do peronismo”). O nome remete ao movimento político em torno do nome do falecido ex-presidente Juan Domingo Perón (1895-1974), que governou o país em três mandatos distintos, e hoje é representado principalmente pelo Partido Justicialista.
Já na França, o candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon tem conseguido um crescimento exponencial de seu canal (“L’equipe de Mélenchon officiele”, ou seja, a “equipe oficial de Mélenchon”) nos últimos dias.
No exterior, muitos dos movimentos que estão interessados em replicar a estratégia de Janones veem nele um coordenador digital que conseguiu bater a extrema-direita no campo em que ela mais tem sucesso, que é a massificação de mensagens pelas redes sociais. Em um áudio ao “Exército do Lula” já depois da vitória nas urnas, o deputado deu uma bronca nos “soldados” e explicou mais uma vez como buscou isolar influenciadores do lado adversário, como Nikolas Ferreira (PL-MG).
“Vocês estão dando palco para maluco. Ignora. Vão deixar eles falando sozinho entre eles. Não vamos construir eles igual a gente construiu, não. Vocês construíram o Bolsonaro com ‘ele, não’ e batendo nele todo dia”, ralhou o “general”. “De novo eu estou vendo, (toda) hora tirando sarro, mostrando vídeo. Deixa esses caras sozinhos. Imagina como se fosse território, país. A gente fechou eles. Eles vão ficar agora só falando entre eles. É maluco falando para maluco. Não toca mais no nome dessa turma, não”, ordenou.
Fonte: Abril

