O governo federal, por meio do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, considera o fim da escala de trabalho 6 por 1 uma questão urgente. Boulos afirmou que "empurrar com a barriga" a votação é uma estratégia dos bolsonaristas, que se opõem à medida, enfatizando que a mudança deve ocorrer "para agora".

Tramitação Urgente no Congresso

A declaração de Boulos foi feita após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhar a proposta ao Congresso em regime de urgência constitucional. Esse movimento estabelece um prazo de até 45 dias para votação na Câmara dos Deputados e mais 45 dias para trâmite no Senado.

Com a urgência, a proposta tranca a pauta nas duas casas até 14 de julho. Boulos projeta que, considerando os prazos regimentais, o fim da escala 6 por 1 seja votado e aprovado no país até agosto, garantindo assim, no mínimo, dois dias de descanso para cada trabalhador brasileiro.

Benefícios e a Pauta do Trabalhador

Boulos descreve a medida como "o básico", essencial para que o trabalhador tenha tempo para viver, conviver com a família, cuidar dos filhos, ter lazer e até mesmo se qualificar. Ele reforça que essa é uma "pauta do Brasil", encampada pelo presidente Lula com o regime de urgência, não um pedido excessivo.

A celeridade na tramitação é vista como crucial para impedir táticas de parlamentares bolsonaristas, que visam adiar o debate sobre o tema para depois do período eleitoral.

Rejeição a Transição Prolongada e Sustentabilidade Econômica

O ministro também expressou que o governo não aceita uma segunda estratégia da oposição, que sugere uma transição de cinco anos para a mudança da jornada. Para Boulos, "demorar cinco anos para reduzir a jornada uma hora por ano não dá", e o fim da escala 6 por 1 precisa ser imediato.

Contrariando alegações de grandes empresários sobre impactos negativos, Boulos citou estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que indicam que a economia brasileira tem capacidade de absorver a mudança. Ele argumenta que um trabalhador descansado produz mais e melhora seu desempenho, o que beneficiaria a produtividade geral.

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