Atuar em setores predominantemente masculinos é um desafio persistente para muitas mulheres, e o futebol exemplifica essa realidade. A trajetória neste esporte, que por quase quatro décadas foi proibido às mulheres, exige resiliência. Em meio às celebrações do Mês da Mulher, atletas, narradoras e jovens promessas compartilham suas experiências, destacando como a paixão e a determinação impulsionam a presença feminina em campo e fora dele.
A Busca por um Ambiente Seguro e Estruturado
A ex-jogadora Formiga, diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte, enfatiza a urgência de construir ambientes seguros para aumentar a participação feminina. Ícone do esporte, Formiga foi a única atleta a disputar sete Copas do Mundo, acumulando títulos como dois vices olímpicos e um mundial, além do ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2007.
Ela ressalta a necessidade de segurança para todas as mulheres envolvidas no futebol, independentemente da função – sejam atletas, treinadoras, árbitras ou diretoras. Para Formiga, a formação de base é crucial. Embora haja talentos abundantes entre as meninas, o progresso será limitado sem uma infraestrutura adequada. Seu objetivo atual inclui trabalhar para expandir o número de atletas no cenário nacional.
A diretora defende que todos os estados devem estabelecer e consolidar times femininos, com foco na formação de base, seguindo o modelo de São Paulo. Formiga argumenta que é preciso buscar um equilíbrio nacional, com a colaboração dos clubes para apoiar essa expansão.
Jovens Talentos Superando o Preconceito
A meio-campista Isadora Jardim, de 14 anos, vive um momento decisivo em sua carreira. Deixou o Distrito Federal para atuar na categoria sub-15 do Corinthians, em São Paulo, onde concilia treinos intensos pela manhã com estudos à tarde. Sua dedicação a levou à convocação para a Seleção Brasileira sub-15.
Isadora relata ter enfrentado comentários desanimadores, como “futebol não é para mulher” e “mulher não joga futebol”. Contudo, ela aprendeu a lidar com essas adversidades, transformando-as em força. A jovem atleta incentiva outras meninas a perseguirem seus sonhos no futebol, reforçando a importância de persistência e treinamento contínuo.
A Voz Feminina na Narração Esportiva
No segmento da narração esportiva, Luciana Zogaib, da equipe de esportes da EBC, destaca a predominância masculina histórica no rádio, que existe há um século. Ela aponta a significativa resistência e o machismo cultural profundamente enraizado no futebol como barreiras para a inserção feminina neste meio.
Luciana, que atua na TV Brasil e Rádio Nacional, enfatiza que a presença feminina nas cabines de narração é fundamental para expandir o mercado. Ela acredita que a visibilidade de locutoras gera oportunidades, incentivando outros parceiros a incluírem mulheres em suas equipes e, assim, abrindo caminho para mais profissionais femininas no setor.
Copa 2027 e o Legado para o Futebol Feminino
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) prioriza a exibição do futebol feminino e participa ativamente das câmaras temáticas que preparam a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, sediada no Brasil. Em parceria com o Ministério do Esporte, a EBC discute estratégias para levar o futebol a regiões mais afastadas do país.
Recentemente, a secretária extraordinária para a Copa do Mundo Feminina 2027, Juliana Agatte, reuniu-se com o presidente da EBC, André Basbaum, e o diretor-geral, David Butter. A pauta incluiu, entre outros pontos, a discussão sobre o legado social e esportivo que a competição deixará para o Brasil.



