As maiores empresas do agronegócio brasileiro encerraram 2025 com receitas em expansão, impulsionadas principalmente pelo comércio internacional de produtos agrícolas e pela indústria de carnes.
As dez primeiras colocadas no ranking Agro100, elaborado pela Forbes Brasil, movimentaram R$ 1,2 trilhão, um crescimento de 11% em relação ao levantamento anterior.
O resultado revela a concentração econômica entre grandes frigoríficos, exportadoras de grãos e companhias de alimentos.
Somente a JBS, líder da classificação, registrou receita de R$ 481 bilhões, equivalente a quase 39% do faturamento conjunto das dez maiores.
A distância em relação às concorrentes é expressiva. A MBRF aparece na segunda posição, com R$ 164 bilhões, seguida pela Cargill Alimentos, com R$ 115,29 bilhões. Juntas, essas três companhias respondem por aproximadamente 61% da receita das dez líderes.
Quando consideradas as cem empresas do levantamento, o faturamento total alcançou R$ 2,1 trilhões, avanço de 13,5% sobre a edição anterior. As dez primeiras concentram cerca de 59% desse montante.
Os valores representam receitas empresariais, e não lucro.
Também não devem ser confundidos com a contribuição do agronegócio ao Produto Interno Bruto (PIB), pois podem incluir operações internacionais e transações entre empresas da mesma cadeia produtiva.
Comércio de grãos lidera expansão das receitas
O crescimento das companhias não foi uniforme. Entre os sete segmentos analisados pela Forbes, seis registraram aumento de faturamento superior à inflação de 2025, que ficou em 4,26%, segundo o levantamento.
As empresas de comercialização agrícola, conhecidas como tradings, apresentaram o maior avanço, de 23%.
Essas companhias compram produtos dos agricultores, organizam o armazenamento e o transporte e negociam grandes volumes de commodities com compradores nacionais e estrangeiros.
A expansão ocorreu em um ano de produção agrícola recorde. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2024/25 alcançou 350 milhões de toneladas de grãos, 16% acima da temporada anterior. A soja respondeu por 171 milhões de toneladas, enquanto o milho chegou a aproximadamente 139 milhões.
Companhia Nacional de Abastecimento+1
O aumento da oferta ajuda a explicar a maior movimentação nas cadeias de comercialização, embora o faturamento também dependa dos preços internacionais, do câmbio e dos volumes efetivamente negociados por cada empresa.
A indústria de proteína animal registrou o segundo maior crescimento, de 16%. O segmento reúne frigoríficos e processadoras de carnes, com atuação tanto no abastecimento brasileiro quanto nas exportações.
Na agroenergia, que inclui empresas ligadas à produção de etanol e outros biocombustíveis, as receitas avançaram 13%. O setor de alimentos e bebidas teve crescimento de 7%.
Veja as dez maiores empresas do agronegócio
Receita líquida em 2025, segundo o ranking Agro100 da Forbes Brasil.
| Posição | Empresa | Receita |
|---|---|---|
| 1 | JBS | R$ 480,58 bi |
| 2 | MBRF | R$ 163,96 bi |
| 3 | Cargill Alimentos | R$ 115,29 bi |
| 4 | Ambev | R$ 88,24 bi |
| 5 | Raízen Energia | R$ 87,70 bi |
| 6 | Bunge Alimentos | R$ 76,01 bi |
| 7 | Copersucar | R$ 65,78 bi |
| 8 | Cofco International Brasil | R$ 61,63 bi |
| 9 | Minerva | R$ 54,83 bi |
| 10 | Suzano | R$ 50,12 bi |
Celulose fica para trás com queda dos preços
A indústria de celulose destoou dos demais segmentos. Foi a única entre as sete atividades pesquisadas que não conseguiu elevar o faturamento acima da inflação.
O desempenho foi prejudicado pelo enfraquecimento das cotações internacionais. No início de 2025, o preço da celulose chegou a ficar abaixo de US$ 500 por tonelada, reduzindo as receitas obtidas com a comercialização do produto.
A Suzano, maior produtora mundial de celulose de eucalipto, permaneceu entre as dez maiores companhias do ranking, com receita de R$ 50 bilhões.
O resultado ilustra uma característica importante do agronegócio. Produzir ou vender mais não significa necessariamente faturar mais na mesma proporção. A variação dos preços internacionais pode compensar ou até superar os ganhos de volume.
Agropecuária cresceu quase cinco vezes mais que a economia brasileira
Os resultados empresariais foram registrados em um período de forte expansão da produção rural.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB da agropecuária cresceu 12% em 2025, enquanto a economia brasileira avançou 2,3%. O desempenho foi favorecido pelas safras recordes de soja e milho e pelos ganhos de produtividade no campo.
O valor adicionado pela agropecuária chegou a R$ 775 bilhões. Esse indicador mede a riqueza gerada diretamente pela atividade, descontando os insumos utilizados na produção.
Juros e fertilizantes ameaçam margens
Apesar do crescimento registrado em 2025, as perspectivas para os próximos ciclos envolvem custos mais elevados e dificuldades de financiamento.
Segundo dados citados pela Forbes Brasil, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta aumento de 9,8% nos gastos com insumos na safra 2026/27. No caso dos fertilizantes, a elevação prevista é de pelo menos 15%.
O problema é agravado pela dependência brasileira de fornecedores externos. Cerca de 80% dos fertilizantes utilizados nas lavouras são importados, o que expõe os produtores às oscilações cambiais e às mudanças nos preços internacionais.
Uma pesquisa da consultoria McKinsey com 5.500 agricultores de dez países também identificou menor disposição para ampliar investimentos. No Brasil, a intenção de investir caiu 25 pontos percentuais em relação ao levantamento de 2024.
Inteligência artificial avança nas grandes empresas
A incorporação de novas tecnologias também aparece entre as prioridades das companhias do agronegócio.
Uma pesquisa complementar realizada pela Forbes com participantes do Agro100 mostrou que 92,7% das empresas respondentes já investiram em alguma aplicação de inteligência artificial.
As ferramentas são utilizadas em atividades administrativas, análise de dados e processos produtivos, com aplicações que vão do planejamento de operações ao acompanhamento das lavouras.
O percentual, porém, se refere às empresas que responderam à pesquisa e não pode ser estendido automaticamente a todo o setor.
A adoção dessas tecnologias ocorre em um momento em que produtores e indústrias procuram aumentar a eficiência para compensar custos financeiros, energéticos e agrícolas.
O levantamento mostra, assim, duas tendências simultâneas.
As maiores empresas ampliaram suas receitas em 2025, mas a continuidade desse crescimento dependerá da evolução dos preços das commodities, dos custos de produção e da capacidade de investimento nos próximos anos.
Fonte: Abril

