Para alcançar a avaliação de mercado de US$ 1,78 trilhão em seu IPO, a SpaceX precisaria que as receitas de sua unidade de negócios de IA sejam cresçam cerca de 100 vezes nos próximos quatro anos. A avaliação é do banco que coordena a oferta pública inicial de ações, Goldman Sachs, e foi publicada pelo jornal Financial Times.
Segundo a reportagem, pelas estimativas discutidas pelo banco com um potencial investidor, a unidade de IA da companhia deve sair de US$ 3,2 bilhões em receita em 2025 para US$ 322 bilhões em 2030. No mesmo horizonte, a receita total da SpaceX avançaria de US$ 18,7 bilhões, registrados no ano passado, para US$ 474 bilhões.
As projeções ajudam a dimensionar o nível de otimismo que vem sustentando a corrida por ativos ligados à inteligência artificial em Wall Street. O modelo do Goldman Sachs, apresentado verbalmente durante o roadshow do IPO, faz parte do esforço para atrair gestores de recursos para uma operação que pode levantar até US$ 86 bilhões.
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No centro dessa tese está a xAI, divisão de inteligência artificial da SpaceX, que mesmo tendo registrado prejuízo de US$ 6,4 bilhões em 2025 aparece como o principal motor de valor do conglomerado de Elon Musk. Segundo o prospecto da oferta, essa unidade atuaria em um mercado endereçável total de US$ 26,5 trilhões — cifra muito superior ao mercado potencial estimado em cerca de US$ 2 trilhões para a Starlink e para as operações espaciais da empresa.
Segundo a projeção do Goldman Sachs, o salto começaria já em 2026: a receita da divisão de IA cresceria 388%, alcançando US$ 15,6 bilhões, e avançaria para US$ 34,5 bilhões em 2027. As estimativas foram confirmadas ao jornal Financial Times.
Para que esse cenário se materialize, no entanto, a família de modelos de inteligência artificial Grok, de Musk, teria de não apenas se aproximar, mas superar concorrentes como OpenAI, Google e Anthropic em frentes consideradas críticas, como programação, agentes autônomos, segurança cibernética e chatbots.
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As demais frentes de negócio da SpaceX aparecem em segundo plano nas projeções. O Goldman Sachs espera que a Starlink gere US$ 144 bilhões em receita em 2030, menos da metade do que seria produzido pela área de IA. Já a divisão de foguetes deve faturar US$ 8,3 bilhões no mesmo ano, ante US$ 4,1 bilhões registrados no ano passado.
O banco também projeta um avanço expressivo da rentabilidade. O Ebitda ajustado (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da SpaceX, segundo o modelo, sairia de US$ 6,6 bilhões em 2025 para US$ 352 bilhões em 2030.
Mesmo assim, os números atuais da companhia mostram uma realidade ainda distante dessa escala. No ano passado, a empresa teve fluxo de caixa livre negativo de US$ 13,8 bilhões. A expectativa do Goldman é que esse indicador vire para o positivo apenas em 2031, quando chegaria a US$ 72 bilhões.
