Após a rejeição de Jorge Messias, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quarta-feira (29) que a decisão do Senado foi uma “resposta” ao STF (Supremo Tribunal Federal), mas evitou atribuir a si mesmo ou à sua campanha a vitória pelo veto ao indicado pelo presidente Lula (PT).
“É um conjunto de fatores. É uma resposta ao governo também, que não pode continuar pisando no Congresso Nacional contando com algum nível de ajuda do Supremo”, disse o senador. “Não derrotei ninguém. Óbvio que estou satisfeito. Não é uma vitória pessoal de ninguém”, declarou.
Em votação secreta, 42 senadores foram contra a aprovação do advogado-geral da União para o STF e 34, a favor. Eram necessários 41 senadores favoráveis. Na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Messias foi aprovado por 16 votos a 11, após cerca de oito horas de sabatina, no placar mais apertado desde a redemocratização.
Para o relator da indicação, senador Weverton Rocha (PDT-MA), o AGU foi alvo de uma “injustiça enorme” em uma derrota do governo imposta após parte dos senadores escolherem mandar um “recado” ao Planalto às vésperas da eleição.
O relator afirmou também que Lula “sabe como funciona determinados movimentos ou recados” e deve chamar a base do governo para conversar. “Agora ele deve ir pro ringue, para a eleição, e os opositores poderão fazer esse enfrentamento. Não vamos discutir nomes. O que esta se discutindo é que impuseram uma derrota a uma pessoa que nada tinha a ver com o processo eleitoral”, declarou.
“Óbvio que é uma derrota para o governo. Tem que se procurar todas as respostas e perguntas. Não falei ainda com os outros colegas senadores, mas aí você tem uma mistura de senadores que já são da oposição e que tinham o direito de criar uma expectativa de que votaria no secreto e, na hora, ficar muito a vontade e votar no que já tinha falado, mas tem também votos de senadores que tem essa relação independente na Casa e que também precisava ou querem, em véspera de eleição mandar recado”, completou Weverton.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), visitou Lula após o resultado. O parlamentar esteve no Palácio da Alvorada mais cedo, em cumprimento de agenda oficial, e retornou à residência oficial cerca de 20 minutos após a rejeição de Messias.
Logo após votação, o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos (PSOL), também se manifestou e se referiu-se à rejeição de Messias como fruto de uma aliança entre bolsonarismo e chantagem política. “A aliança entre bolsonarismo e chantagem política venceu na rejeição ao nome de Jorge Messias ao STF. O Senado sai menor desse episódio lamentável”, escreveu nas redes sociais.
Já o presidente da CCJ na Casa, Otto Alencar (PSD-BA), disse que não vai procurar quem votou contra e que respeita a decisão dos colegas. “Eu não costumo nem perguntar aos senadores como eles votam”, disse em breve fala a jornalistas.
O senador Sergio Moro (PL-PR) disse que a presença de pessoas muito próximas ao Executivo afetam a “independência” do STF e o resultado combate isso.
Para a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), a rejeição de Messias reflete o fato de os parlamentares não estarem mais “condescendentes com esse tipo de coisa que está acontecendo no Supremo”.
“A gente tem ministros envolvidos em crimes e a gente não quer isso. A gente quer um Supremo forte, que o Brasil possa acreditar. Isso não era uma indicação para fortalecer o Supremo e fortalecer o Brasil. Isso era uma indicação para facilitar a vida do presidente da República”, afirmou.
Já o senador Marcos Pontes (PL-SP) disse que a rejeição está ligada à melhora do desempenho de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência. “As pessoas já estão notando que vai mudar, né? E você sabe que tem muita gente que quer sempre ficar no barco que vence”, afirmou em entrevista à Folha.
