Políticos da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemoraram a prisão de Alexandre Ramagem (PL-RJ) nesta segunda-feira (13) pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, em Orlando, na Flórida, e defenderam a deportação do ex-deputado federal.
A ex-ministra das Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT) afirmou que “essa turma” da política brasileira que adora o presidente americano, Donald Trump, “está sentindo na pele o que é governo autoritário e de extrema-direita” com a detenção do ex-parlamentar.
“Que seja deportado ao Brasil para cumprir sua pena por tentativa de golpe de Estado”, escreveu Gleisi em publicação nas redes sociais.
Alexandre Ramagem é considerado foragido da Justiça brasileira, após ter saído do Brasil e permanecido nos Estados Unidos desde o ano passado. Ele foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) à perda de mandato e a 16 anos e um mês de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado em 2022.
A prisão desta segunda, no entanto, não tem relação com a condenação pelo Supremo. O ex-diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) do governo Bolsonaro foi detido pelo departamento responsável por prender os imigrantes ilegais.
Em vídeo, o vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), declarou que a prisão do ex-deputado sob o governo Trump, que implementa uma rigorosa política migratória, é uma “ironia”. “Eles que defendem tanto o Trump foram presos pelo ICE, aquela polícia extremamente violenta”, disse.
Já o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), declarou que Ramagem “fugiu do Brasil para escapar da Justiça, mas acabou sendo detido justamente no país que tanto idolatrava”.
“Grande dia”, escreveu Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, no X (ex-Twitter), em uma referência à frase usada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Boulos ainda defendeu que o ex-deputado “pague pelos seus crimes” no Brasil.
O ex-ministro Zé Dirceu (PT), que deve ser candidato a deputado federal em outubro, afirmou que “nem Trump está protegendo os bolsonaristas”.
Aliados de Ramagem afirmam que ele não corre risco de deportação e que a detenção teria sido motivada por uma infração leve no trânsito em decorrência de uma desatualização de sua carteira de motorista.
No entanto, um documento do Departamento de Segurança Interna dos EUA mostra que o ex-deputado estava com visto expirado e está sujeito a deportação. A informação foi publicada pelo portal Metrópoles e confirmada pela Folha.
Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o ex-diretor da Abin saiu de forma clandestina do Brasil pela fronteira com a Guiana.
Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a abertura do processo de extradição de Ramagem.
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