O Itamaraty emitiu alertas ao Congresso Nacional sobre a possibilidade de ações militares dos Estados Unidos em território brasileiro. A preocupação surge após a classificação das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos EUA, conforme documentos assinados pelo Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Implicações para a Soberania e Economia Nacional
A designação das facções pode acarretar consequências significativas para a economia e a soberania do Brasil. Autoridades estadunidenses poderiam aplicar medidas unilaterais e extraterritoriais, tanto administrativas quanto judiciais, contra pessoas, empresas e organizações brasileiras.
Em maio, os EUA designaram PCC e CV como organizações terroristas. Recentemente, o Departamento do Tesouro daquele país impôs sanções a indivíduos e empresas brasileiras por supostos vínculos com o PCC, evidenciando a materialização de algumas dessas preocupações.
Preocupações com Ações Extraterritoriais e Falta de Comunicação
Mauro Vieira reforçou que a classificação unilateral poderia justificar ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras nas áreas financeira, migratória e penal, além do risco expresso de uso da força militar. O ministro destacou também a ausência de comunicação formal dos Estados Unidos ao Brasil sobre essa intenção.
O Itamaraty avalia que essa classificação não traz benefícios concretos para a segurança regional. Adicionalmente, o ministério já havia alertado o Congresso em ocasiões anteriores sobre os perigos de “militarizar a agenda” de combate ao crime organizado, com a consequente elevação de custos de compliance e penalização de atividades lícitas.
Distinção entre Crime Organizado e Terrorismo
O chanceler apontou que a amplitude da legislação de contraterrorismo dos EUA pode acarretar sérias implicações para cidadãos brasileiros, afetando as searas financeira, migratória e penal, impactando diretamente a soberania nacional.
Vieira argumenta que a classificação de facções criminosas como terroristas, além de não gerar benefícios, pode prejudicar a cooperação policial entre os países ao introduzir uma “confusão” entre dois fenômenos distintos na legislação brasileira: o crime organizado e o terrorismo.


