
Genes podem prever resposta de pacientes com melanoma à imunoterapia.
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Cinco pessoas continuam em tratamento contra o melanoma em Itapetininga (SP), de acordo com dados divulgados pela prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde municipal.
Conforme o Instituto Nacional de Câncer (INCA), no estado de São Paulo, a estimativa é de que sejam registrados 2.820 novos casos de melanoma, do tipo de maior gravidade, nos próximos dois anos. Neste mesmo período, o Inca estima que o Brasil registre 9.360 casos da doença.
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Em Itapetininga, segundo a administração municipal, pessoas com sintomas da doença devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
Após o atendimento inicial com um médico generalista, caso haja suspeita da enfermidade, o paciente é encaminhado para avaliação com um especialista, que poderá confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento adequado por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
A prefeitura também informou que realiza ações de rastreamento e campanhas preventivas nas unidades móveis.
Em julho, Maria Eduarda Cardoso Ferreira, de 25 anos, moradora de Coronel Macedo (SP), morreu devido a um melanoma em estágio avançado.
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Maria Eduarda Cardoso Ferreira, de 25 anos, moradora de Coronel Macedo (SP), morreu devido a um melanoma em estágio avançado
Arquivo pessoal/Maria Eduarda Cardoso
Melanoma ou câncer de pele?
O g1 conversou com o cirurgião oncologista, Vinicius de Lima Vasquez, de 55 anos, especialista em câncer de pele e de partes moles, do Hospital do Amor, em Barretos (SP).
O médico, que também é professor e pesquisador, explicou que o melanoma é um tipo de câncer de pele e possui características que o diferenciam das demais formas da doença. Segundo o especialista, ele representa entre 3% e 5% dos casos de câncer de pele, mas é responsável pela maior parte das mortes relacionadas à enfermidade.
“O melanoma é um dos tipos de câncer de pele, mas existem outros, como o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular, que são muito mais frequentes. Isso [a morte] acontece porque ele tem maior capacidade de invadir tecidos e se disseminar para outros órgãos, caso não seja diagnosticado precocemente”, apontou.
O g1 conversou com Vinicius de Lima Vazquez, que é cirurgião, professor e pesquisador do Hospital de Amor
Hospital do Amor/Reprodução
Segundo o especialista, a doença tem origem nos melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, pigmento que dá cor à pele. O melanoma pode surgir de duas formas: a partir de uma pinta já existente que passa a apresentar alterações ou como uma nova lesão na pele, situação que corresponde à maioria dos casos.
“A principal causa é o dano acumulado ao DNA das células, especialmente pela exposição excessiva à radiação ultravioleta do sol ou de câmaras de bronzeamento. Entretanto, fatores genéticos e hereditários também podem contribuir”, esclareceu Vinicius.
Como identificar
O especialista destacou que o principal sinal de alerta é o surgimento de uma pinta ou mancha diferente das demais ou que apresente alterações ao longo do tempo. Também é importante ficar atento às lesões que apresentem as seguintes características:
Crescem rapidamente;
Mudam de formato ou de cor;
Apresentam várias tonalidades;
Coçam, sangram ou formam feridas;
Têm aspecto muito diferente das outras pintas da pessoa.
“Utilizamos um termo chamado de ‘sinal do patinho feio’, é uma pinta que chama atenção por ser diferente das demais merece avaliação médica.”
Melanoma é a forma mais agressiva de câncer de pele
Reprodução/EPTV
A comunidade médica adota uma regra simples para ajudar na identificação de sinais suspeitos de melanoma. Segundo Vinicius, o método conhecido como “ABCDE” não substitui a avaliação médica, mas auxilia na identificação de lesões que devem ser examinadas por um especialista.
A – Assimetria: uma metade da lesão é diferente da outra;
B – Bordas: bordas irregulares, recortadas ou mal definidas;
C – Cor: presença de diferentes cores na mesma lesão, como preto, marrom, vermelho, branco ou azul;
D – Diâmetro: lesões maiores que 6 milímetros merecem atenção, embora melanomas menores também possam existir;
E – Evolução: talvez seja o critério mais importante. Qualquer mudança no tamanho, formato, cor ou sintomas, como sangramento ou coceira, deve motivar uma consulta.
Apesar desses sinais de alerta, o médico ressaltou que nem toda pinta ou mancha na pele é cancerígena. Segundo ele, a maioria dessas lesões é benigna e pode permanecer assim ao longo de toda a vida, sem representar riscos à saúde.
“O importante é observar mudanças. Uma pinta que permanece estável por muitos anos costuma oferecer baixo risco. Já uma lesão nova ou uma pinta que começa a mudar deve ser avaliada por um dermatologista”.
O diagnóstico precoce do melanoma pode mudar completamente o prognóstico e o tratamento do paciente. Segundo o médico, quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de remissão. Ele ressalta que esse é um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento.
“Quando diagnosticado ainda nas fases iniciais, antes de invadir profundamente a pele ou atingir outros órgãos, as chances de cura ultrapassam 90%, chegando a mais de 95% em muitos casos. Por outro lado, quando o diagnóstico ocorre após a disseminação da doença, o tratamento torna-se mais complexo”, completou.
Metástases
O médico explicou que o melanoma apresenta características biológicas que favorecem a disseminação da doença. Segundo ele, as células tumorais conseguem romper as barreiras naturais da pele, invadir os vasos linfáticos e sanguíneos e se espalhar para outras partes do organismo, atingindo órgãos e estruturas como linfonodos, pulmões, fígado, cérebro e ossos.
“Além disso, essas células apresentam grande capacidade de adaptação e sobrevivência, o que explica seu comportamento mais agressivo quando comparado à maioria dos outros cânceres de pele”, disse.
Ao g1, especialista informou que com o diagnóstico precoce as chances de cura ultrapassam os 90%.
Getty Images via BBC
Para explicar o que é a metástase, o especialista afirma que o processo ocorre quando células do tumor original se desprendem, entram na circulação linfática ou sanguínea e se espalham para outros órgãos do corpo, onde podem dar origem a novos tumores.
“Ao chegarem a um novo local, essas células podem se instalar, multiplicar-se e formar novos tumores. No melanoma, o primeiro local acometido costuma ser o linfonodo mais próximo da lesão, mas a doença também pode atingir órgãos distantes”.
Prevenção e público de risco
Além de saber identificar uma lesão de melanoma, é importante entender como prevenir o surgimento da doença. À reportagem, o especialista apontou cuidados necessários e destacou quais são os públicos de risco.
De acordo com o médico, algumas pessoas podem apresentar maior risco de desenvolver um melanoma. O público de risco inclui pessoas que:
Possuem pele, olhos e cabelos claros;
Sofrem queimaduras solares, principalmente na infância e adolescência;
Possuem muitas pintas ou pintas atípicas;
Têm histórico familiar ou pessoal de melanoma;
Apresentam imunidade comprometida;
Se expõem frequentemente ao sol sem proteção.
A regra do ABCDE é um guia, mas a avaliação profissional é insubstituível para identificar lesões suspeitas de câncer de pele.
Divulgação
No entanto, o médico destacou que o melanoma pode acometer qualquer pessoa, inclusive indivíduos de pele negra. Nesses casos, a doença costuma surgir em áreas menos expostas ao sol, como as plantas dos pés, as palmas das mãos e a região sob as unhas.
Grande parte dos casos de melanoma podem ser prevenidos, seguindo orientações médicas como:
Evitar exposição solar intensa, principalmente entre 10h e 16h;
Usar protetor solar diariamente e aplicá-lo quando necessário;
Utilizar chapéus, roupas com proteção UV e óculos de sol;
Evitar câmaras de bronzeamento artificial;
Realizar auto exame periódico da pele;
Consultar um dermatologista diante de qualquer lesão suspeita ou, para pessoas de maior risco, fazer acompanhamento regular.
“Além disso, a prevenção não termina com a proteção solar. Conhecer a própria pele e procurar atendimento ao notar qualquer alteração são atitudes fundamentais para que o melanoma seja diagnosticado precocemente, quando as chances de cura são muito elevadas”, concluiu Vinicius de Lima Vasquez.
Especialistas alertam a importância de utilizar protetor solar
Reprodução/TV TEM
Tratamento no estado de São Paulo
Em nota ao g1, a A Secretaria de Estado da Saúde informou que para o tratamento oncológico, a rede estadual conta com 88 unidades da Rede Hebe Camargo de Combate ao Câncer, sendo 66 Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons) e 14 Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacons).
“As outras oito unidades são hospitais gerais que realizam cirurgias oncológicas. Os pacientes são encaminhados via regulação para o atendimento e tratamento nestas unidades referenciadas”, diz a nota.
Para os casos mais graves, que demandam tratamentos de alta complexidade em hospitais de referência, a pasta informou que o paciente deve ser encaminhado pelo serviço de origem ou regulado pelo Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo (Siresp). Atualmente, segundo a Secretaria, as filas de espera para consultas, cirurgias, exames e procedimentos são descentralizadas.
“A Pasta trabalha para identificá-las e unificá-las, com o objetivo de ampliar os atendimentos e reduzir a demanda de espera, sempre respeitando os critérios de urgência e emergência”, informou.
Os dados de Itapetininga sobre melanoma são da políclínica
Prefeitura de Itapetininga/Divulgação
*Colaborou sob a supervisão de Larissa Pandori
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