Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (8), em Porto Alegre, o técnico do Flamengo, Leonardo Jardim, e o executivo de futebol do clube, José Boto, falaram sobre os momentos de tensão vividos na partida cancelada contra o Independiente Medellín, na última quinta-feira (7), pela CONMEBOL Libertadores.
Jardim, que falou primeiro, relatou ter ficado “espantado” com a demora da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) em suspender de vez a partida, já que os torcedores da equipe colombiana criaram uma verdadeira “guerra” nas arquibancadas e fora do estádio.
“Sobre ontem, é uma situação visível para todos… Não havia segurança no estádio. O que me espanta é demorarem tanto tempo, porque às vezes, em situações desse tipo, 45 minutos depois o árbitro, quando vê que não tem condições, acaba o jogo”, apontou.
“Essa situação prolongou um pouco mais. Não sou especialista nisso, mas é o que fala das regras que conheço durante minha vida esportiva”, complementou.
Boto, por sua vez, relatou o temor da diretoria que algum torcedor armado conseguisse ter acesso aos jogadores, apesar de, na sua visão, os fãs do clube colombiano não terem demonstrado animosidade em relação ao clube brasileiro.
“Eles não tinham nada contra o Flamengo, mas estávamos no meio. Começaram a arremessar sinalizadores, pedras, ferros… Não havia condição de segurança. Não sabíamos sem alguém tinha faca, arma e nos sentimos um pouco ameaçados, como é óbvio”, salientou.
O dirigente ainda revelou que, enquanto a partida ainda era dada como suspensa, a Confederação e as forças de segurança cogitaram continuar o jogo com as arquibancadas vazias, fazendo com que os torcedores evacuassem o estádio.
De acordo com o executivo, ele foi um dos que se opôs à ideia, já que, na sua visão, isso só pioraria as coisas e provocaria uma reação ainda mais forte dos torcedores do Independiente.
“Também nunca foi nossa intenção, nunca dissemos a ninguém que não queríamos jogar. Nós queríamos jogar, mas em segurança. O presidente do clube [Independiente Medellín] queria evacuar o estádio e depois começar a jogar. Eu disse a ele que, quando as pessoas vissem na televisão que estava tendo jogo, seria pior, que voltariam mais raivosas, revoltadas e seria pior”, relatou.
“Mas era essa a insistência que ele tinha, junto com alguém do Governo local, que queriam a força toda que o jogo acontecesse. Queríamos jogar com segurança, não havia condições. O próprio presidente, passado algum tempo, veio dizer que a gente tinha razão”, revelou.
“Nos limitamos a acatar o que a Conmebol disse. Nunca houve hostilidade contra o Flamengo, mas estávamos ali no meio. São coisas que não são agradáveis, polícia, gás lacrimogênio. Não foi agradável para nós, embora a hostilidade não fosse contra nós”, acrescentou.
Por fim, Boto afirmou que o Flamengo sequer avaliou a possibilidade de esperar na Colômbia para ver se a partida seria remarcada para estar sexta-feira, já que o Rubro-Negro tinha viagem programada a Porto Alegre para enfrentar o Grêmio no final de semana.
Para o cartola, a única opção que a Conmebol tem é considerar o Fla como vencedor por W.O., atribuindo a vitória por 3 a 0 à equipe carioca.
“Dissemos lá que não era possível (ficar na Colômbia) por conta do calendário. Era impossível jogarmos hoje e depois no domingo contra o Grêmio. Isso não é possível. Há muita coisa quase impossível na América do Sul, mas essa aí era completamente impossível. Esse cenário nunca foi colocado. O cenário que foi colocado era o jogo acontecer um pouco mais tarde, já sem torcedores. Foi o cenário colocado, mas que, como já disse, seria pior”, analisou.
“Agora eles [Conmebol] abriram expediente, que vai ser analisado pelo departamento jurídico. Não minha opinião, não tem outra solução a não ser nos dar os três pontos”, arrematou.

