O Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais é o ponto central da campanha nacional Julho Amarelo, instituída no Brasil pela Lei nº 13.802/2019. O objetivo é promover a conscientização sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento dessas doenças que causam inflamação aguda ou crônica do fígado. As hepatites virais são classificadas pelos vírus A, B, C, D (Delta) e E, sendo as mais comuns no Brasil as causadas pelos vírus A, B e C.

Frequentemente, a doença progride sem sintomas evidentes por longos períodos, o que dificulta o diagnóstico precoce. Os sinais iniciais são inespecíficos, como fadiga, mal-estar geral e perda de apetite, facilmente confundidos com problemas corriqueiros. Conforme o doutor em Hepatologia pela USP e diretor da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), Adriano Moraes, sintomas mais claros como pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, dor abdominal e coceira surgem apenas em fases avançadas.

O fígado possui uma grande reserva funcional, o que permite que ele sofra inflamação por anos sem manifestar sintomas explícitos. "O fígado sofre em silêncio. A maioria das hepatites e doenças hepáticas não causa dor nem sintomas no início", explica Moraes. Essa característica contribui para que as hepatites virais possam se tornar crônicas e levar a complicações graves, incluindo cirrose e câncer de fígado. Pacientes com hepatite B crônica, especialmente os com cirrose, enfrentam um risco aumentado de câncer hepático e maior mortalidade, podendo necessitar de transplante de fígado.

Prevenção e Diagnóstico Precoce

O Julho Amarelo reforça a importância do diagnóstico e tratamento precoces para reduzir a inflamação e os riscos de cirrose e câncer. Sem tratamento, 30% a 40% dos pacientes podem evoluir para cronicidade e suas complicações, segundo a SBH. A entidade apoia e incentiva a campanha de conscientização em todo o território nacional, estimulando ações locais e atuando como fonte de informação para a saúde pública. As recomendações principais incluem vacinação, testagem e cuidados comportamentais e de higiene.

Imunização Específica

A vacinação é uma das ferramentas mais eficazes. A vacina contra hepatite B é universalmente recomendada, com especial atenção a profissionais de saúde, pessoas com múltiplos parceiros sexuais, vivendo com HIV, renais crônicos e imunodeprimidos. Já a vacina da hepatite A é indicada para crianças, homens que fazem sexo com homens (HSH) e viajantes para áreas endêmicas.

Medidas Comportamentais e Higiene

O médico Adriano Moraes enfatiza a necessidade de evitar o compartilhamento de itens pessoais e perfurocortantes, além do uso contínuo de preservativos para a proteção sexual contra a hepatite B. "Deve-se orientar o uso de preservativos na prevenção da hepatite B e nunca compartilhar agulhas, seringas, alicates de unha, lâminas de barbear e escovas de dentes."

Importância da Testagem

A detecção precoce das infecções virais através da testagem é fundamental. "Toda pessoa deve ser testada pelo menos uma vez para as hepatites B e C, especialmente, as pessoas acima dos 40 anos", destaca o especialista. Além disso, a testagem rápida para hepatites B e C é prioritária para grupos de maior risco, incluindo indivíduos que já utilizaram drogas injetáveis ou inaladas, pessoas com HIV, HSH, múltiplos parceiros sexuais, gestantes, parceiros de pessoas com hepatite B ou C, pacientes em hemodiálise, profissionais expostos a sangue, pessoas com tatuagens e piercings, e aqueles com alterações persistentes em enzimas hepáticas.

Atenção às Gestantes

As hepatites B e C apresentam risco de transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou no parto. Por isso, o rastreamento dessas infecções no pré-natal é crucial para identificar gestantes infectadas e implementar medidas que possam prevenir a transmissão vertical, assegurando a saúde tanto da mãe quanto do recém-nascido.

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