A liderança indígena Narubia Werreira abordou o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no Congresso Nacional nesta quarta-feira (08). Ela o chamou de “miliciano” qual ele enquanto deixava a Câmara dos Deputados, cercado de apoiadores, após uma coletiva de imprensa.
“Você não é desse país, você não ama esse país”, gritou Werreira.
Flávio respondeu que iria “libertar os indígenas”. Antes de entrar no carro para deixar o Congresso, fez um coração com as mãos e mandou um beijo para a ativista.
Narubia Werreira é uma liderança e ativista indígena do Tocantins. Em 2023, ela se tornou a 1ª Secretária dos Povos Originários e Tradicionais do estado, no governo de Wanderlei Barbosa (Republicanos).
“A família Bolsonaro é contra a demarcação das Terras Indígenas, mas não hesita em oferecer nossas riquezas para os EUA. Essa terra é nossa! Não desse patriotismo demagógico e colonizador. Queremos construir o nosso próprio sonho brasileiro e não rastejar as migalhas do podre sonho americano”, disse Narubia Werreir à Folha.
Na última semana, ela se filiou ao PT e declarou apoio ao presidente Lula (PT), que disputará a Presidência contra Flávio Bolsonaro neste ano.
“Eu estou aqui por todos os povos, por todas as vozes, por todas as tendências do partido que acreditam na força da democracia e da justiça social”, disse nas redes sociais ao anunciar sua filiação.
O governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, é criticado por lideranças indígenas. Durante os quatro anos de presidência, nenhuma terra indígena foi demarcada. A demarcação dos territórios é a principal demanda dos povos tradicionais por ser considerada base para a garantia dos outros direitos.
Nesta semana, representantes de diversos povos indígenas estão em Brasília para o ATL (Acampamento Terra Livre). O tema da manifestação neste ano é a luta contra a “ganância das grandes empresas, que insistem em invadir e explorar as últimas fronteiras preservadas no mundo”.
Em fevereiro, a mobilização indígena fez o governo federal recuar de proposta de Lula que incluía hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND). Os manifestantes chegaram a ocupar a sede da empresa Cargill, uma das interessadas no projeto.
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