Ex-ministro articula intensamente nos bastidores para garantir apoio ao jurista, mas mapa de votos segue indefinido
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça intensificou, nos últimos dias, sua articulação política em defesa da indicação do jurista Messias para uma vaga na Corte. Segundo relatos de aliados, Mendonça tem conversado pessoalmente com senadores, líderes partidários e integrantes da cúpula do governo na tentativa de ampliar a base de apoio ao nome do magistrado.
Embora a movimentação tenha ganhado força, o próprio Mendonça reconhece nos bastidores que ainda faltam votos para garantir a aprovação no plenário do Senado. A avaliação interna é de que a resistência não é explícita, mas existe um grupo de parlamentares que deseja “testar” a força política da articulação antes de assumir compromisso.
Mapa de votos permanece incerto
A indicação ao STF exige maioria absoluta — 41 votos — e, segundo fontes próximas ao processo, o cenário atual ainda está distante desse número. A contagem preliminar indica que Messias teria apoio consolidado de parte da base governista e de alguns senadores independentes, mas a oposição segue dividida e parte dos indecisos aguarda a sabatina para definir posição.
Um senador ouvido reservadamente afirmou que “há boa vontade, mas falta convencimento técnico e político”, sinalizando que o desempenho de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) será decisivo.
Atuação direta de Mendonça
Mendonça, que mantém forte interlocução com setores conservadores e com lideranças evangélicas, assumiu para si a missão de apresentar Messias como um nome equilibrado, técnico e fiel à Constituição.
Nos diálogos, o ex-ministro tem destacado a trajetória jurídica do indicado e seu histórico de atuação discreta, defendendo que ele representa uma “garantia de estabilidade” para a Corte em um momento de tensões políticas.
A participação de Mendonça no processo, porém, também divide opiniões. Há senadores que enxergam positivamente sua intervenção, enquanto outros avaliam que o movimento pode gerar resistência em grupos que pretendem manter distância de disputas ideológicas.
Governo monitora, mas evita protagonismo
No Planalto, a avaliação é de que a articulação deve continuar concentrada em Mendonça e aliados diretos do indicado. Integrantes do governo afirmam que uma entrada mais contundente poderia “politizar demais” o processo, aumentando a margem para rejeição entre parlamentares independentes.
Ainda assim, auxiliares presidenciais monitoram a movimentação e admitem que, caso o quadro não avance nas próximas semanas, a Casa Civil poderá ampliar o diálogo com lideranças do Senado.
Sabatina será decisiva
Com o ambiente no Senado ainda instável, a expectativa é de que a sabatina de Messias na CCJ seja o momento-chave para virar votos. O desempenho técnico, a postura pública e a capacidade de responder a temas sensíveis — como decisões do STF, judicialização da política e garantias individuais — serão determinantes.
Nos bastidores, aliados acreditam que uma apresentação sólida pode impulsionar o nome do jurista e quebrar a resistência de parte dos indecisos.
Clima de cautela
Apesar das intensas articulações, o discurso de Mendonça e do núcleo que apoia Messias é de cautela. A ordem é evitar excesso de otimismo e manter conversas individualizadas até o dia da votação.
Se consolidada, a indicação poderá alterar a composição e o perfil do STF pelos próximos anos. Até lá, o clima é de expectativa — e de intensa movimentação política nos corredores de Brasília.


















