Em meio ao calor previsível do sul da Flórida e ao barulho dos aviões que cruzam o céu do estádio, um som se impunha: o português com sotaque brasileiro. Não só nas arquibancadas, mas nos corredores, nas filas para drinques e comidas e até nos anúncios improvisados entre torcedores.
Em março, poucos meses antes de sediar jogos de futebol da Copa do Mundo, o Hard Rock Stadium foi palco do Miami Open, um dos principais torneios de tênis. Ali exibiu algo que ganha escala: a conexão entre o Brasil e o esporte de raquetes.
Há décadas, o campeonato figura entre os eventos do circuito com o maior público vindo do país. Mas em 2026 circular pelo complexo era notar algo a mais, já que o próprio inglês virava idioma secundário em certos momentos e partidas.
A disputa entre o carioca João Fonseca e o espanhol Carlos Alcaraz, ainda nas fases iniciais, teve estádio lotado e atmosfera que lembrava mais a de um clássico de futebol, com gritos, bandeiras e uma energia que destoa do comportamento contido típico do tênis.
Os números ajudam a explicar esse cenário. A Flórida é o maior destino de brasileiros nos Estados Unidos, e grande parte deles entra por Miami, uma cidade em que já se acostumaram a circular, consumir e, sobretudo, a se reconhecer.
Além de Fonseca, apareceram no radar figuras como Beatriz Haddad Maia, Luisa Stefani, Rafael Matos e Orlando Luz, atletas que mesmo sem dominar o circuito, ajudam a manter o país relevante no calendário internacional do tênis. O resultado é um efeito conhecido em outros esportes: o turismo motivado por ídolos.
Ainda que em escala menor do que no futebol, é notável o movimento de brasileiros que organizam viagens em torno dos torneios. Embora Miami seja a escolha mais óbvia, não é de se espantar ver um número expressivo de gente do país voando para Paris, Melbourne, Londres e Nova York para assistir a jogos dessas promessas.
Afinal, o pacote todo, assim como em campeonatos de outras modalidades, vai muito além das quadras. São eventos híbridos entre festival e parque temático, bares, experiências gastronômicas e espaços pensados para socialização.
O hábito de comprar bonés e outros souvenires parecia ser obrigatório, tanto que a bandeira do Brasil figurava entre estampas de camisetas do torneio.
A presença de influenciadores era visível, muitos filmando e saindo antes do fim das partidas. Para uma parte do público, o jogo é mesmo pano de fundo.



















