A Microsoft superou as estimativas de Wall Street para o crescimento da receita trimestral de nuvem na quarta-feira, um sinal de que seus enormes investimentos em infraestrutura de IA estavam gerando resultados à medida que as restrições de capacidade diminuem e mais empresas adotam a tecnologia.

A receita da divisão de computação em nuvem Azure da empresa cresceu 43% no quarto trimestre fiscal, em comparação com a estimativa de consenso dos analistas de 39,98%, segundo a Visible Alpha.

As ações da Microsoft, sediada em Redmond, Washington, subiam cerca de 3% nas negociações após o fechamento do mercado.

“Este ano, a receita do Azure ultrapassou US$ 100 bilhões pela primeira vez, e o Microsoft 365 Copilot alcançou mais de 30 milhões de licenças pagas, refletindo a confiança que os clientes depositam em nós para impulsionar sua transformação em IA”, disse o CEO Satya Nadella.

O forte crescimento pode aliviar algumas preocupações em relação à Microsoft, que vinha sofrendo pressão devido ao aumento acentuado dos gastos com data centers e ao receio de que ferramentas de IA pudessem substituir seu negócio de software de produtividade, historicamente sólido.

O resultado vem na sequência de um trimestre excepcional para o Google Cloud; a rival registrou um salto de 82% na receita de nuvem na semana passada, superando amplamente as expectativas do mercado.

A Microsoft previu gastos de US$ 190 bilhões neste ano civil, parte de um montante superior a US$ 700 bilhões em investimentos sem precedentes das “Big Techs”, o que pressionou o fluxo de caixa das empresas e alimentou temores de excesso de capacidade instalada.

Paralelamente, a empresa está reduzindo sua dependência da tecnologia da OpenAI ao incorporar modelos da Anthropic em suas ofertas e desenvolver sua própria IA, ao mesmo tempo em que utiliza seus fortes laços comerciais para impulsionar a adoção do Copilot — que custa US$ 30 mensais —, inclusive por meio de acordos como o firmado com a Accenture no início deste ano.

A empresa tem apresentado um dos piores desempenhos entre o grupo de megaempresas conhecido como “Magnificent Seven” (Sete Magníficas), com uma queda de 18% até agora neste ano, ficando atrás de rivais do setor de nuvem, como a Alphabet. A Microsoft afirmou que o crescimento de suas operações em nuvem está sendo limitado por restrições de capacidade, as quais ela prevê que persistam pelo menos até o final de 2026. Essa situação forçou a empresa a escolher entre abastecer seus próprios serviços de IA — como o assistente Copilot 365 — e alugar capacidade computacional a clientes por meio do Azure.

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Ainda assim, alguns analistas consideram exageradas as preocupações em torno da Microsoft, ressaltando que a demanda por IA permanece forte e que a empresa tem se esforçado para amenizar as restrições por meio de acordos que vão além da expansão de seus próprios data centers, como a recente parceria com a francesa Mistral.


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