Um ato solene marcará o início das mobilizações pelo Dia Internacional das Mulheres neste domingo (1º), em memória de Tainara Souza Santos, de 31 anos. Tainara faleceu após ser brutalmente atropelada e arrastada pelo ex-companheiro na Marginal Tietê, Zona Norte de São Paulo, em 29 de novembro do ano passado. O evento, organizado pelo Ministério das Mulheres, será realizado no local do crime, onde a violência resultou na perda de suas pernas e, posteriormente, em seu falecimento na véspera do Natal. O agressor encontra-se detido, respondendo por feminicídio.
O Significado do Ato e a Homenagem à Tainara
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que o ato transcende a homenagem a Tainara, representando um clamor nacional contra o feminicídio. Ela afirmou que o objetivo é iniciar o mês de março com solidariedade e consciência, buscando a união de parlamentares, prefeitos, governadores, o sistema de Justiça, toda a sociedade e a mídia no enfrentamento a este desafio global. Intervenções artísticas com grafites em muros de prédios da região, a instalação de um mastro com mensagens contra o feminicídio e um trio elétrico com a presença da família da vítima e movimentos sociais estão previstos para acompanhar o trajeto, reforçando a mensagem.
Pacto Nacional Contra o Feminicídio e a Rede de Apoio
Dezenove estados já aderiram ao Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, informou a ministra Márcia Lopes, que visitará as localidades ainda não engajadas em março. Ela enfatiza a urgência de integrar e padronizar políticas públicas entre União, estados e municípios para prevenir o feminicídio, definido como o assassinato de uma mulher por discriminação ou menosprezo à sua condição de gênero. A ministra sublinhou a necessidade de um Sistema Nacional de Política para as Mulheres robusto, com órgãos gestores e conselhos atuantes, além de uma rede de serviços amplamente conhecida e confiável para a população. Em 2023, o Brasil registrou um número recorde de 1.518 vítimas de feminicídio, equivalente a uma média de quatro mortes diárias.
Educação Preventiva: Projeto Maria da Penha na Escola
O Ministério da Educação (MEC) regulamentará em março o projeto "Maria da Penha vai à escola", uma iniciativa crucial para educar estudantes e profissionais sobre a prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher. A ministra explicou que a iniciativa visa ensinar igualdade de gênero desde cedo, construindo uma sociedade verdadeiramente igualitária, onde a inferiorização e a desvalorização das mulheres não sejam banalizadas nem naturalizadas.
Esporte Contra a Violência de Gênero
A ministra também repudiou publicamente as declarações do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, contra a árbitra Daiane Muniz, classificando-as como um "caso de violência de gênero, absoluto desprezo e machismo inadmissível". Ela reforçou que as mulheres demonstraram sua capacidade em qualquer setor e expressou o compromisso do ministério em parceria com a CBF para que a Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil seja um marco de respeito e mobilização no esporte, assegurando que "o esporte não pode ser crime, tem que ser para uma vida saudável".


















