O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu um procedimento administrativo para apurar o valor da dívida do Corinthians com a Caixa Econômica Federal pelo financiamento da Neo Química Arena. A investigação começou na última terça-feira, 1º, e, segundo apuração da TV Record, considera a possibilidade de o montante cobrado atualmente ser superior ao que o clube efetivamente deveria.
O caso está sob responsabilidade do promotor Cássio Roberto Conserino e teve origem em uma denúncia apresentada pelo perito Anísio Castelo Branco, CEO do Instituto de Perícia Investigativa, que investiga fraudes, lavagem de dinheiro e análise de contratos bancários. A sua análise questiona os cálculos utilizados para atualizar a dívida e suas contas indicam uma diferença de cerca de 256 milhões de reais.
O financiamento para a construção do estádio teve início em 2013, quando o Corinthians obteve crédito de até 400 milhões de reais. Ao longo dos anos, a dívida passou por diferentes renegociações. Em 2019, a Caixa ajuizou uma execução cobrando mais de 536 milhões de reais. No entanto, informações da Record apontam que o clube desembolsou aproximadamente 600 milhões de reais até agora, mas que o saldo devedor ainda estaria em 642 milhões de reais.
A possível revisão da dívida ocorre em meio a um cenário financeiro pressionado no clube. O Corinthians encerrou o primeiro semestre de 2026 com déficit de cerca de 246 milhões de reais, quase 80% acima dos 138 milhões de reais previstos no orçamento para o período. A dívida total permaneceu em 2,8 bilhões de reais no fim de junho.
Procurada por Veja Negócios, a Caixa Econômica Federal afirmou que não pode comentar detalhes do contrato devido ao sigilo bancário, mas que sua atuação observou a legislação aplicável tanto de sua parte quanto da do Corinthians.
Confira a nota de posicionamento, na íntegra:
“A Caixa informa que o contrato de financiamento firmado com o Sport Club Corinthians observou rigorosamente a legislação vigente, as normas do Banco Central do Brasil e do Sistema Financeiro Nacional, não havendo qualquer aspecto da operação que extrapole o regime jurídico aplicável a contratos dessa natureza.
A contratação original, de 2013, e a renegociação concluída, em 2022, foram submetidas e acompanhadas por efetivo assessoramento técnico e jurídico da Caixa e do Corinthians, bem como aprovadas por rigorosas regras de governança, de ambos os lados.
A Caixa ressalta, ainda, que informações específicas sobre operações de crédito e seus termos contratuais estão protegidas pelo sigilo bancário, nos termos da Lei Complementar n° 105/2001. Por esse motivo, a instituição não pode comentar detalhes do contrato, limitando-se a reafirmar que sua atuação observou a legislação aplicável, normativos internos, controles e compliance, tanto da Caixa, quanto do Corinthians.”
Já o Sport Club Corinthians Paulista não se manifestou até o momento de publicação desta reportagem. O espaço segue aberto e o texto será atualizado em caso de envio de um posicionamento.


