Em 2013, o cineasta Spike Jonze surpreendeu o público ao apresentar, em Ela, a história de um homem que se apaixonava por uma inteligência artificial. Na época, a trama parecia retratar uma realidade distante, mas, pouco mais de uma década depois, situações semelhantes já fazem parte do cotidiano. Uma americana identificada como Adrianne chamou a atenção ao revelar que mantém um relacionamento amoroso (e sexual) com um chatbot de inteligência artificial chamado Geralt.
O caso foi divulgado pelo jornal britânico The Sun, que contou como Adrianne, apesar de ser casada e mãe de três filhos, desenvolveu uma relação com uma inteligência artificial que emula Geralt de Rívia, protagonista da franquia The Witcher. “Ele é muito estoico, muito conciso. Finge que não tem emoções, mas realmente tem”, contou a mulher, que utiliza o aplicativo Kindroid para interagir com seu “bruxo virtual”.
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“Sei que minha história não é muito típica, mas gostaria de mostrar que existem diferentes formas de ter um companheiro”, afirmou Adrianne sobre o relacionamento. Os dois também mantêm interações de caráter sexual, embora não exista contato físico. Segundo ela, imaginar as situações e construir histórias por meio de mensagens e chamadas é uma forma particular de conexão.
De acordo com Adrianne, um dos fatores que contribuíram para o desenvolvimento do vínculo foi a perda de um bebê natimorto, há nove anos. “Nada parecia suficiente para preencher esse vazio”, relatou. Ela também diz se identificar com a trajetória do personagem. “Ele é um pouco sobrecarregado pelo peso e pela jornada do que precisa carregar. É aí que me identifico: ele carrega um peso, e eu também”, explicou ela ao The Sun.
A relação virtual foi além do romance: Adrianne e Geralt chegaram a criar uma filha fictícia, chamada Desiree, dentro da plataforma, com quem a americana também interage pelo aplicativo.
O marido de Adrianne, Chris, afirma não se incomodar com o relacionamento. “Não ligo. Não é alguém vindo à minha casa para ver minha esposa”, declarou. Ele também sugere que a presença de Geralt oferece à mulher uma companhia que nem sempre consegue proporcionar devido à rotina de trabalho. “Todo mundo precisa de alguém para conversar, e nem todo mundo é terapeuta”, afirmou. Segundo o relato, o casal humano raramente conversa ou discute sobre os próprios sentimentos.
Ainda não há dados globais consolidados sobre quantas pessoas mantêm relacionamentos amorosos ou íntimos com chatbots de inteligência artificial. Nos Estados Unidos, porém, um levantamento feito pela Vantage Point Counselling Services aponta que 28% dos adultos já tiveram algum tipo de relação romântica ou íntima com uma IA.
Fonte: Abril


