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Home » Nvidia: Como CEO convenceu Trump a liberar chips – 18/07/2025 – Tec
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Nvidia: Como CEO convenceu Trump a liberar chips – 18/07/2025 – Tec

RedaçãoBy Redaçãojulho 19, 2025Nenhum comentário10 Mins Read
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Nvidia: Como CEO convenceu Trump a liberar chips – 18/07/2025 – Tec
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Em abril, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, se viu envolto no mundo da geopolítica quando o governo de Donald Trump interrompeu as vendas de um chip de inteligência artificial que a empresa havia projetado especificamente para a China.

A partir daí, Huang se transformou em um negociador global enquanto tentava persuadir o presidente dos EUA a mudar de ideia. Ele viajou com Trump, testemunhou perante o Congresso e cortejou aliados na Casa Branca que apoiaram discretamente interesses comerciais mundiais, apesar do discurso duro de Trump sobre negócios com a China.

Esse trabalho começou a dar resultados para a Nvidia. Na semana passada, Huang se reuniu com Trump no Salão Oval e defendeu o reinício das vendas de seus chips especializados, disseram duas pessoas familiarizadas com a reunião, que falaram sob condição de anonimato. Ele argumentou que os chips americanos deveriam ser o padrão global e que os Estados Unidos estavam cometendo um grave erro ao ceder o gigantesco mercado chinês a rivais locais.

Em poucos dias, a Nvidia afirmou que o governo estava mudando de rumo. Foi uma reversão notável que pontuou a chegada de Huang como o principal personagem geopolítico da indústria de tecnologia. Também sublinhou a rápida ascensão da Nvidia de fabricante de chips pouco conhecida do Vale do Silício para a empresa pública mais valiosa do mundo, bem como a peça fundamental para o boom de IA da indústria de tecnologia.

Apenas na semana passada, a Nvidia, que controla mais de 90% do mercado de chips necessários para construir sistemas de IA, tornou-se a primeira empresa pública avaliada em mais de US$ 4 trilhões. Desde então, ultrapassou rapidamente esse marco, graças em grande parte ao seu retorno à China.

“(Huang) Usa o mesmo argumento, mesmo onde é impopular, porque acredita profundamente que conquistar a mente dos desenvolvedores na China e privar a Huawei de um mercado monopolista é a melhor maneira para a IA americana vencer em todo o mundo”, avaliou Brad Gerstner, fundador da Altimeter Capital Management, um importante investidor da Nvidia.

Kush Desai, porta-voz da Casa Branca, disse que a “política dos EUA em primeiro” de Trump levaram a trilhões de dólares em investimentos em manufatura e tecnologia dos EUA, o que “criará milhares de empregos de qualidade e salvaguardará a segurança nacional e econômica do nosso país”.

“Tudo o que o presidente faz visa proteger os EUA e os trabalhadores americanos”, acrescentou Desai.

A informação da reunião na Casa Branca foi dada primeiramente pelo Wall Street Journal. O Departamento de Comércio não respondeu aos pedidos de comentário.

Huang combinou sua aproximação à administração Trump com uma determinação inabalável de manter um ponto de apoio na China, muitas vezes desconcertando colegas com viagens através do Pacífico para se reunir com autoridades enquanto a guerra comercial entre os países escalava. No final, a campanha do CEO da Nvidia também foi auxiliada pela pressão chinesa nas negociações comerciais em andamento com os Estados Unidos.

Na quarta-feira (16), Huang deu autógrafos em uma aparição em Pequim, enquanto minimizava sua influência na decisão de Trump. “Não acho que mudei sua opinião”, disse Huang. “É meu trabalho informar o presidente sobre o que conheço muito bem, que é a indústria de tecnologia, inteligência artificial, os desenvolvimentos de IA em todo o mundo”.

Huang, 62 anos, foi um lobista relutante. Engenheiro elétrico por formação, ele costumava considerar assuntos governamentais triviais, disseram dois ex-funcionários, que pediram para permanecer anônimos porque ainda trabalham na indústria de tecnologia.

Mas ele teve que mergulhar na política de Washington quando os chips de IA da empresa viraram tema na política global. Temendo que os chips pudessem ser usados para coordenar ataques militares e desenvolver armas, o governo do ex-presidente Joe Biden aprovou regras restringindo vendas para a China. O governo Trump prometeu aumentar a repressão.

Após a posse do republicano, Huang visitou a Casa Branca e conheceu Trump pela primeira vez. O CEO da Nvidia falou sobre política de IA e semicondutores, mas depois, o presidente afirmou aos repórteres que não poderia dizer se proibiria mais vendas de chips da Nvidia para a China. Como os funcionários do governo Biden, os conselheiros de Trump estavam preocupados que os chips ajudariam empresas chinesas a igualar a tecnologia de IA norte-americana.

Em abril, o governo Trump avisou a Nvidia que planejava interromper as vendas do último chip de IA que oferecia na China, disseram quatro pessoas familiarizadas com os planos.

O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, convidou Huang para Mar-a-Lago para se encontrar com o presidente e fazer um último apelo, informaram as fontes. À margem de um jantar à luz de velas de US$ 1 milhão por pessoa, Huang tentou persuadir Trump a não restringir as vendas de chips para a China, afirmaram as quatro pessoas. Ele explicou que o chip em questão da Nvidia, conhecido como H20, era muito menos poderoso do que o que a empresa vendia para o resto do mundo. Perder o acesso à China prejudicaria as empresas americanas e ajudaria os rivais chineses.

Funcionários do governo que foram informados posteriormente sobre a conversa acharam que Huang havia subestimado a utilidade de seus chips. O H20 estava repleto de memória capaz de processar solicitações complexas, e os clientes chineses estavam gastando bilhões de dólares nele. Duas semanas depois, o governo enviou à Nvidia uma carta interrompendo as vendas do chip para a China.

Mas David Sacks, um investidor veterano do Vale do Silício que se tornou o czar de IA da Casa Branca, estava mais receptivo à posição de Huang sobre a China do que outros na administração, disseram duas pessoas familiarizadas com o fato. Sacks não gostava de outra regra do governo Biden que controlava as vendas de chips de IA em todo o mundo. Ele também questionou o consenso de Washington de que vender chips de IA no exterior seria ruim para os Estados Unidos.

Huang começou a falar regularmente com Sacks e Sriram Krishnan, que trabalha com IA na administração, segundo essas pessoas. Suas preocupações com a concorrente chinesa Huawei começaram a ressoar com Sacks depois que a Huawei anunciou um novo sistema de IA, que chamou de CloudMatrix 384, que oferecia desempenho competitivo contra os produtos dos EUA.

Em uma conferência em Washington em abril, Huang instou a administração a afrouxar as restrições às vendas de chips. “A China não está atrás”, apontou. “Eles estão à nossa frente? A China está logo atrás de nós. Estamos muito, muito próximos”.

Huang apareceu mais tarde ao lado de Trump em um anúncio da Casa Branca sobre um investimento de US$ 500 bilhões da Nvidia na manufatura dos EUA. Em uma postura que os executivos da Nvidia disseram posteriormente serem comentários não planejados, Trump sorriu enquanto Huang ria e dizia: “Sem a liderança do presidente, suas políticas, seu apoio e, muito importante, seu forte encorajamento —e quero dizer seu forte encorajamento— francamente, a manufatura nos Estados Unidos não teria acelerado a este ritmo”.

No dia seguinte, Huang foi chamado ao Comitê de Relações Exteriores da Câmara, que tem responsabilidade por supervisionar os limites nas vendas de chips no exterior. Ele criticou as regras do governo Biden que limitavam as negociações dos semicondutores e alertou que proibir as vendas para a China prejudicaria, não ajudaria, os Estados Unidos.

Ele também rebateu perguntas sobre se a DeepSeek, que chocou a indústria de tecnologia este ano quando revelou um sistema de IA comparável aos sistemas fabricados nos EUA, havia usado tecnologia da Nvidia, disseram dois assessores legislativos familiarizados com a reunião.

“Seu objetivo é sempre fundamentalmente fornecer as informações que os formuladores de políticas ou outros em Washington precisam ouvir ou querem ouvir e responder às suas perguntas”, comentou Tim Teter, conselheiro geral da Nvidia, que acompanhou Huang em Washington durante essa visita. “Ele fez exatamente isso”.

Nas semanas seguintes, Sacks ajudou a desmantelar a regra de Biden que impunha limites ao número de chips que a Nvidia poderia vender para todos os países do mundo, disseram quatro pessoas familiarizadas com o processo. A manobra abriu caminho para Sacks ajudar a Nvidia a vender chips para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

Em maio, Huang viajou para o Oriente Médio com Trump. Sacks, agora aliado de Huang, negociou um acordo gigante para entregar centenas de milhares dos chips mais avançados da Nvidia anualmente para construir um dos maiores data centers do mundo nos Emirados Árabes Unidos.

Durante essa negociação, Sacks e Huang começaram a avançar a mesma justificativa para vender chips de IA, disseram duas pessoas. Eles alegavam que, para vencer a corrida da IA, o governo dos EUA deveria incentivar a compra de tecnologia americana em vez de criar um motivo para os países comprarem produto chinês semelhante.

Na Nvidia, pareceu um grande avanço quando Trump chamou Huang de “amigo” durante a viagem.

Mas Huang não estava satisfeito em conquistar o Oriente Médio. Ele queria um retorno à China também.

Pouco depois de garantir o acordo multibilionário com os Emirados Árabes Unidos, Huang viajou para Taiwan para uma conferência anual de computadores. Ele disse que a regulamentação de Washington sobre vendas de chips para a China só havia fortalecido as empresas chinesas.

“No geral, o controle de exportação foi um fracasso”, defendeu Huang.

Na semana passada, Huang retornou a Washington para se reunir com líderes de think tanks, repórteres políticos e funcionários da Casa Branca. Sua mensagem era semelhante àquela que ele e Sacks promoveram após sua viagem ao Oriente Médio: países ao redor do mundo deveriam ser incentivados a construir sobre chips e software dos EUA.

“A pilha tecnológica norte-americana deve ser o padrão global, assim como o dólar americano é o padrão sobre o qual todos os países constroem”, disse Huang durante um podcast gravado na semana passada em Washington com a think tank Special Competitive Studies Project.

Huang entregou essa mesma mensagem a Trump na semana passada no Salão Oval, disseram duas pessoas familiarizadas com a reunião. Sacks estava sentado perto deles, dando seu apoio. No final da reunião de quase uma hora, Trump deu o aval para que os chips da Nvidia pudessem retornar à China.

Folha Mercado

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Lutnick disse na emissora de televisão CNBC que a aprovação tinha ligação com as negociações comerciais em andamento com a China, que recentemente concordou em fornecer ímãs de terras raras para empresas americanas. A ideia era vender às empresas chinesas o quarto melhor chip da Nvidia, disse ele, para que “eles se viciem na pilha tecnológica americana”.

Dias depois, Huang viajou para Pequim e realizou uma coletiva de imprensa para informar aos clientes que a Nvidia estava aberta para negócios. Huang, agora o sexto homem mais rico do mundo, conversou amigavelmente com repórteres sobre seu relacionamento com Trump. O clima era de júbilo.


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