A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta terça-feira (10), três policiais civis do Rio de Janeiro, incluindo um delegado titular de uma delegacia da capital. A ação é parte da Operação Anomalia, que investiga o grupo por utilizar a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando Vermelho (CV), a maior facção criminosa do estado, além de praticar corrupção e lavagem de dinheiro.
Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de desarticular um núcleo criminoso composto por policiais civis fluminenses e operadores financeiros. A Suprema Corte também deferiu medidas cautelares focadas na descapitalização do grupo, abrangendo o afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados, a suspensão do exercício de atividades empresariais de pessoas jurídicas utilizadas nas práticas criminosas e o bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos ligados aos alvos, conforme detalhado pela PF.
Modus Operandi do Esquema
As investigações identificaram um esquema criminoso liderado por um delegado e um policial civil. De forma reiterada, os servidores emitiam intimações com o propósito de coagir e pressionar lideranças do tráfico no Rio de Janeiro, exigindo o pagamento de propinas significativas para omissão em atos de ofício, segundo informações da Polícia Federal.
Foi apurado que a negociação ilícita ocorria com cobranças incisivas e imposição de prazos. Para operacionalizar o recebimento das vantagens indevidas e manter um distanciamento físico das lideranças da facção criminosa, os policiais contavam com a atuação direta de dois intermediários.
A inteligência financeira da PF detectou que os policiais investigados apresentam movimentação patrimonial milionária, incompatível com seus vencimentos lícitos. Para ocultar e dissimular o capital sujo, a estrutura criminosa contava com uma rede de empresas de fachada registradas em nome de familiares, agora alvos de suspensão judicial.
Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa, além de lavagem de capitais.

















