O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, declarou que a aliança não pode confirmar se a base militar de Diego Garcia, compartilhada por Reino Unido e Estados Unidos no Oceano Índico, foi atingida por mísseis balísticos intercontinentais iranianos no último sábado (21). O incidente, não confirmado, ocorre em meio a crescentes tensões geopolíticas na região.
O Enigma da Base de Diego Garcia e a Capacidade Iraniana
Rutte enfatizou a investigação em andamento e as implicações caso o ataque seja confirmado, afirmando que isso indicaria que o Irã já possui capacidade balística intercontinental. Se não for verdade, ele acredita que Teerã está "muito perto" de alcançá-la. Em contrapartida, o Irã nega veementemente o ataque, reiterando que seus mísseis têm um alcance máximo de 2 mil quilômetros, enquanto a base está a mais de 3 mil quilômetros de seu território.
Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, classificou a acusação como uma "falsa bandeira" destinada a incriminar Teerã. Ele alertou que a confirmação da autoria iraniana poderia arrastar Londres e a Otan para um conflito, criticando o que ele vê como "desinformação" de Israel.
Repercussões Internacionais e a Posição do Reino Unido
Fontes militares dos EUA, não identificadas, reportaram a agências internacionais que mísseis iranianos foram lançados contra a base, mas não atingiram as instalações. Israel capitalizou essas notícias, com seu ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa'ar, sugerindo que nações europeias deveriam se engajar na guerra e alegando que o Irã mentiu sobre o alcance de seus mísseis, mencionando que capitais como Berlim, Paris e Londres estariam ao alcance de mísseis iranianos.
Envolvimento Britânico e Alertas Iranianos
O governo do Reino Unido tem apoiado as ações dos EUA e de Israel contra o Irã, fornecendo suporte logístico. Na sexta-feira (20), Londres confirmou que suas bases estavam sendo utilizadas pelos EUA para "autodefesa coletiva". O ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, reagiu a essa confirmação, alertando que o uso de bases britânicas para agressões contra o Irã colocaria vidas britânicas em perigo e que Teerã exerceria seu direito à autodefesa.
O Programa de Mísseis Iraniano e Avaliações de Inteligência
A alegação de que Teerã estaria próximo de desenvolver mísseis intercontinentais capazes de atingir o território estadunidense, uma justificativa recorrente de Donald Trump para atacar o Irã, foi reiterada por Mark Rutte. Esta narrativa sustenta a pressão sobre o programa balístico iraniano.
Contudo, os próprios serviços de inteligência dos EUA possuem uma avaliação mais estendida para o desenvolvimento dessa tecnologia pelo Irã. Em audiência no Senado, a diretora da Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, indicou que o Irã poderia atingir tal capacidade antes de 2035, caso decidisse persegui-la ativamente, já demonstrando tecnologias de lançamento espacial que poderiam ser adaptadas para um míssil balístico intercontinental (ICBM).


