A Polícia Federal (PF) iniciou uma investigação sobre vídeos na plataforma TikTok que promovem apologia à violência contra a mulher. A corporação agiu após receber múltiplas denúncias, solicitando à plataforma a preservação de dados e a remoção imediata do material. Agentes identificaram e reportaram vídeos adicionais relacionados ao tema, que também foram prontamente removidos.
Ações Legais e Resposta da Plataforma
Os vídeos investigados mostram homens simulando agressões físicas, como socos, chutes e facadas, contra mulheres em resposta à rejeição de investidas românticas. A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a PF para apurar o caso, identificando a origem dos conteúdos em quatro perfis do TikTok. Os criadores podem ser responsabilizados por incitação a crimes como feminicídio, ameaça, lesão corporal e violência psicológica contra a mulher.
O TikTok, por sua vez, confirmou que os vídeos violavam suas Diretrizes da Comunidade e foram removidos. A plataforma assegurou que sua equipe de moderação está empenhada em identificar e eliminar outros conteúdos violativos sobre o tema.
Ascensão da Misoginia Online
Conteúdos misóginos, que expressam ódio e preconceito contra mulheres, têm ganhado força em comunidades online conhecidas como “machosfera”, “redpills” e “incels”. Nesses grupos, homens que se consideram injustiçados pela sociedade e pelas mulheres promovem discursos de violência e discriminação de gênero.
Criminalização da Misoginia e Prevenção
Eunice Guedes, militante da Articulação de Mulheres Brasileiras e professora da Universidade Federal do Pará, destaca o aumento do alcance do discurso misógino nos últimos anos, que tem ampliado sua voz e acesso a mídias e recursos. Ela ressalta a urgência de leis que criminalizem a misoginia para garantir punição, mas enfatiza que a sociedade como um todo deve combater essa cultura violenta. A pesquisadora defende que não basta a punição; é crucial investir em prevenção, mudança de paradigmas e concepções culturais.
O surgimento desse tipo de conteúdo ocorre em um momento de crescente debate sobre o aumento da violência contra mulheres no Brasil. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública revelam que o país registra, em média, quatro feminicídios por dia.
Canais de Denúncia e Apoio
É fundamental que casos de violência doméstica e contra a mulher sejam denunciados. A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um serviço gratuito e confidencial, disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana. O atendimento também pode ser feito via WhatsApp pelo número (61) 9610-0180 e por e-mail: central180@mulheres.gov.br.
Além disso, denúncias podem ser realizadas em Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), delegacias comuns ou nas Casas da Mulher Brasileira. Outros números úteis incluem o Disque 100, para violações de direitos humanos, e o 190, para ocorrências policiais.




















