A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) protagonizou um ato controverso na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) ao fazer blackface durante um discurso. O gesto foi direcionado à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), criticando sua eleição como presidente da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados. A ação gerou imediata repercussão, levantando debates sobre racismo e transfobia no cenário político brasileiro.
A Essência do Blackface e Seu Histórico Discriminatório
Blackface é uma prática de natureza racista, onde pessoas brancas utilizam maquiagem, perucas ou acessórios para simular de forma caricata e pejorativa características físicas de pessoas negras. Originária dos Estados Unidos, a prática era comum em espetáculos teatrais, onde atores brancos representavam pessoas negras de maneira estereotipada e degradante, perpetuando preconceitos e desumanização na sociedade.
Declarações da Deputada Fabiana Bolsonaro
Durante seu pronunciamento na tribuna, Fabiana Bolsonaro, com o rosto pintado, declarou: "Eu estou pintada de negra por fora. Eu me reconheço como negra. Por que então eu não posso presidir a Comissão sobre racismo, antirracista? Por que eu não posso cuidar dessa pauta? Porque eu não sou negra". Na sequência, a deputada prosseguiu com falas consideradas transfóbicas: "Eu sou uma mulher. Não adianta se travestir de mulher. Eu não estou aqui ofendendo transexual, muito pelo contrário, eu estou dizendo, eu sou mulher, quero ser vista como mulher. A mulher do ano não pode ser trave (sic) transsexual".
Repercussão e Medidas Legais Acionadas
O presidente da Alesp, André do Prado (PL), e a deputada Erika Hilton foram contatados para comentar o ocorrido, mas não houve retorno até o momento da publicação. Em resposta ao incidente, a deputada estadual paulista Mônica Seixas (PSOL) e a vereadora de São Paulo Luana Alves (PSOL) dirigiram-se à Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância para registrar um boletim de ocorrência contra Fabiana Bolsonaro.
Exigências de Responsabilização e Ação Institucional
Mônica Seixas expressou indignação nas redes sociais, afirmando que "Crime de racismo é inafiançável, aconteceu de forma televisionada sem nenhuma reação da presidência da Assembleia Legislativa ao fato da deputada Fabiana Bolsonaro ter feito blackface enquanto dizia impropérios transfóbicos na tribuna". A parlamentar também destacou as dificuldades em registrar o flagrante, mencionando o Artigo 282 do regimento interno da Alesp que prevê a atuação da autoridade policial em casos de crime no plenário. Seixas confirmou que serão tomadas medidas criminais e que o caso será levado ao Conselho de Ética, exigindo uma resposta e atuação imediatas da presidência da Assembleia em respeito à população do estado, especialmente a população negra.




