Em contraste à velocidade com qual empresas da América Latina geram valor aos fundos de private equity, a região ainda caminha lentamente na implementação de IA em suas operações. Um relatório da FTI Consulting mostra que apenas 36% dos entrevistados adotam frequentemente inteligência artificial, enquanto a média global é de 48%.
O Índice de Criação de Valor em Private Equity ouviu 555 líderes seniores do setor de private equity. Os participantes avaliaram nove alavancas de criação de valor comercial e operacional.
De acordo com o estudo, a conversão de caixa e a otimização do capital de giro na América Latina geram valor acima das expectativas aos fundos, com uma taxa de 74%. Para se ter ideia, o número é de 53% quando consideradas as respostas capturadas em todo o mundo.
Para o diretor executivo e head da FTI Consulting no Brasil, Samuel Aguirre, o principal motivo para essa velocidade é o custo de capital, estimulado pelas altas taxas de juros. “A liquidez é sempre apertada, então há um incentivo natural para tentar ser ágil”, diz em entrevista ao InfoMoney.
Aguirre destaca ainda o aumento da atividade de M&A em investidas dos private equity como alavanca de valor para as companhias. De acordo com a pesquisa, a aquisição e fusão de empresas é a segunda estratégia mais utilizada na América Latina, com 78% das respostas. Ela fica atrás apenas da estratégia de precificação.
O cenário global dá uma ideia sobre a proeminência dos M&As entre empresas investidas pelos fundos. Desde o levantamento feito em 2025 até o deste ano, as fusões e aquisições deixaram de ser a última prioridade para se tornar a primeira quando considerados todos os mercados.

Apesar da priorização, no entanto, os M&As são mais frequentemente descritos como a alavanca de mais lento retorno em níveis globais — apenas 25% dos gestores consideram essa a estratégia de mais rápido retorno.
Um dos motivos para isso, explica Aguirre, é que há mais exigência do mercado quanto aos negócios envolvendo M&As. “Também é possível que menores possibilidades de crescimento orgânico levem gestores a precisarem comprar outras empresas”, afirma.
“Playbook” mais exigente
No mercado de private equity, a palavra em inglês “playbook” descreve a estratégia adotada pelos fundos desde sua entrada no investimento até a saída. De acordo com o levantamento da FTI Consulting, a probabilidade de gestores de alta performance terem playbooks padronizados é 2,3 vezes maior a nível mundial.
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O relatório identifica como fundos de alta performance aqueles cujo portfólio de empresas, na média, ultrapassa os resultados de caso de negócio ou retorno sobre investimento esperado nos 12 meses anteriores.
“Começar a pensar a saída após a compra é absurdo. Basicamente, o gestor está comprando para sair. Ele precisa saber exatamente como fazer as coisas e ter um negócio bem padronizado”, aponta Aguirre. “É o que diferencia uma boa gestora de uma gestora mediocre.”
Inteligência artificial como alavanca
No cenário da América Latina, apenas 15% dos líderes de private equity registraram facilidade de implementação de inteligência artificial, contra uma média geral de 31%. A discrepância em comparação à região da Ásia-Pacífico, onde o número chega a 48%, é ainda maior.
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Para Aguirre, a falta de especialistas na América Latina pode ajudar a explicar o cenário. Sua avaliação é a de que faltam pessoas e consultorias capazes de chegar às companhias e acelerar, de forma eficiente, as ferramentas certas.
“Não acho um problema. Se fora da região há exemplos de como fazer essa implementação, acaba havendo uma maneira mais factível para os private equities executarem”, analisa. “De 2025 e 2026, a confiança em IA caiu, mas de alguma maneira aprenderam que é importante aplicar. Para 2027, imagino que será algo com foco maior.”
De acordo com a pesquisa a maturidade de IA como um fator único de saída para os investidores caiu de 59% para apenas 12% em um anos. “A ênfase que os líderes de private equity estão colocando em IA é muito diferente do que foi no ano passado”, aponta Aguirre.
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