Deputadas estaduais do PT acionaram o Ministério Público de Minas Gerais para pedir a abertura de investigação contra o governador Mateus Simões (PSD) por suposta prática de injúria racial.
O documento cita o discurso do governador na última terça (21), quando ele disse ter “inveja branca” de seu homólogo paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por ter nomeado a primeira mulher como comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo.
A ação foi protocolada pelas deputadas Macaé Evaristo, Ana Paula Siqueira, Andréia de Jesus e Leninha, que fazem parte do bloco de oposição ao governo na Assembleia Legislativa de Minas.
A coluna voltou a procurou o Governo de Minas por email nesta quarta (22), mas não houve resposta até a publicação do texto.
De acordo com a representação encaminhada à Promotoria, a expressão “inveja branca” é identificada por especialistas em linguística, sociologia racial e direitos humanos como manifestação de racismo linguístico.
Ela é assim interpretada por associar ao branco um sentimento bom ou aceitável, enquanto deixa implícita a associação do preto/negro ao negativo ou ruim.
“Trata-se de um mecanismo linguístico que reproduz e reforça a hierarquização racial estrutural presente na sociedade brasileira desde a colonização”, diz a ação das deputadas.
O documento também afirma que Simões nem o governo emitiram qualquer manifestação de “retratação, esclarecimento ou reconhecimento da conotação racial da expressão” até o momento.
As deputadas pedem que, caso seja constatado ilícito penal, a Promotoria apresente denúncia pela suposta prática dos crimes de injúria racial ou racismo, com possível aumento de pena por se tratar de agente público no exercício da função.
A fala de Simões ocorreu durante a cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, na qual Tarcísio foi homenageado com a principal honraria.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.






















