Enquanto a seleção francesa se prepara para as semifinais da Copa do Mundo 2026 nos Estados Unidos, a descontração dos treinos contrasta com a seriedade da mobilização de autoridades e jogadores da França e Espanha, unidos para repudiar declarações racistas contra "Les Bleus".

Diplomatas e Atletas Condenam Discriminação

O ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, que governou entre 2011 e 2018, publicou um artigo depreciativo sobre a diversidade da seleção francesa, sugerindo a ausência de "franceses" em seu "plantel de altíssimo nível". Ele fazia referência a jogadores descendentes de imigrantes, majoritariamente de antigas colônias africanas, refletindo a pluralidade étnica da sociedade francesa.

A declaração de Rajoy foi veementemente rebatida. Jogadores espanhóis como Pau Cubarsí e Borja Iglesias se manifestaram, assim como o atual primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Em suas redes sociais, Sánchez qualificou a afirmação como uma vergonha, desejando que o racismo perca.

Marcelo Carvalho, diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, uma organização da sociedade civil brasileira, analisou que tais comentários refletem o pensamento de grupos alinhados à extrema-direita. Ele também acredita que o anonimato na internet contribui para a proliferação desses ataques, pois as pessoas se sentem mais confiantes para expressar preconceitos.

Aumento Alarmante de Ataques Online e Novas Medidas de Combate

Durante esta Copa, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) registrou um aumento expressivo de ataques racistas. Na primeira fase, foram identificadas 89 mil publicações abusivas nas redes sociais, um número 13 vezes maior do que na Copa de 2022, sendo 11% delas de caráter racial.

Em resposta a essa escalada, a FIFA tem adotado medidas rigorosas. Desde o início da competição, dois jogadores ─ um do Paraguai e outro do Equador ─ foram expulsos graças ao Protocolo Vini Jr. de combate ao racismo. A proibição de cobrir a boca com as mãos durante discussões em campo impede a ocultação de provas, um avanço significativo, pois, como Carvalho apontou, "antes, era a palavra de um contra a de outro, e a vítima saía prejudicada".

Impacto de Atletas e Apoio Institucional Transforma o Cenário

O ativismo de atletas como Vinícius Jr. e Kylian Mbappé tem incentivado outros a denunciar o racismo. O apoio das federações e de autoridades aos jogadores cria um movimento que transforma tanto o futebol quanto a sociedade. A defesa da Federação Francesa de Futebol e do governo francês a Mbappé é vista como uma defesa de todas as pessoas negras, transcendendo os limites do esporte.

Antes do incidente envolvendo Rajoy, a senadora paraguaia Celeste Amarilla dirigiu insultos racistas a Mbappé após a derrota do Paraguai para o time europeu.

Mbappé respondeu publicamente à senadora. A Federação Francesa de Futebol e as autoridades francesas prontamente manifestaram apoio, acionando a Procuradoria francesa. Um inquérito por injúria agravada e incitação ao ódio e à violência foi aberto, qualificando as declarações como criminosas e repreensíveis.

Marcelo Carvalho conclui que a resposta atual a esses incidentes demonstra uma mudança fundamental: "Não estamos mais deixando os casos 'passarem batido'".

Share.
Leave A Reply

Exit mobile version