O Ministério do Interior do Reino Unido tem se preparado para lançar uma nova ferramenta do país contra a imigração ilegal. Documentos do órgão mostram que o governo tem desenvolvido uma ferramenta com reconhecimento facial para “aplicação geral de leis de imigração”. A tecnologia deve ser utilizada como forma de identificar pessoas ilegalmente no país com suas câmeras.
A tecnologia poderá localizar pessoas que tentem retornar ilegalmente ao Reino Unido, imigrantes sujeitos a processos de deportação e indivíduos que descumpram condições de visto. Entre os casos previstos estão a permanência no país após o vencimento da autorização e a entrada sem permissão, consideradas infrações civis pela legislação britânica.
A iniciativa integra uma ofensiva mais ampla da ministra do Interior, Shabana Mahmood, que dobrou o orçamento da fiscalização migratória e anunciou um aumento de 60% no efetivo para viabilizar dezenas de milhares de novas operações, prisões e deportações. Entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, o governo realizou três testes de reconhecimento facial no porto de Holyhead, no País de Gales, inicialmente voltados à identificação de pessoas que descumpriam ordens de deportação ou tinham mandados por crimes migratórios.
A expansão, porém, gerou críticas de organizações de defesa dos direitos dos imigrantes e da privacidade. Representantes dessas entidades alertam para o risco de vigilância em massa e para os erros de identificação associados à tecnologia, especialmente entre pessoas negras. O governo não detalhou quais eventos ou locais considerados sensíveis poderão receber as câmeras. As diretrizes também proíbem a inclusão de menores de 18 anos nas listas de vigilância, após críticas anteriores ao uso de uma ferramenta de inteligência artificial que identificou crianças migrantes como adultas.
Segundo o jornal britânico Guardian, o Ministério do Interior afirma que estuda os benefícios e impactos da tecnologia e considera realizar novos testes. Embora os documentos indiquem que o programa estará sujeito à fiscalização de órgãos responsáveis por biometria e proteção de dados, o comissário britânico de biometria e câmeras de vigilância, William Webster, afirmou que não foi consultado sobre a iniciativa. Ele também ressaltou que o uso do reconhecimento facial para fins migratórios está fora de sua competência.
Organizações de direitos civis questionam a falta de transparência e de regras específicas para o uso da tecnologia por órgãos públicos. Para os críticos, a expansão ocorre sem fiscalização adequada ou consentimento da população. Webster também defendeu que o futuro marco regulatório britânico sobre reconhecimento facial esclareça os limites da supervisão estatal diante da ampliação do uso desses sistemas.
Fonte: Abril


