A Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (Repcone) abriu inscrições para sua segunda edição, oferecendo formação gratuita em cibersegurança, apoio psicossocial e orientação jurídica. O programa visa proteger, capacitar e articular mulheres negras, indígenas e quilombolas da América Latina contra a violência digital. Interessadas podem se inscrever online até 5 de agosto.
O período de inscrições coincide com as celebrações do Mês Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, que culmina em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
Iniciativa e Objetivos
Idealizada pela Rede de Jornalistas Pretos (Rede JP) e sua coordenadora geral, Marcelle Chagas, a Repcone busca ampliar o alcance da oportunidade para comunicadoras e lideranças negras de diferentes regiões, fortalecendo uma rede diversa e conectada. Chagas enfatiza que o ambiente digital se tornou complexo e, frequentemente, nocivo para mulheres negras em espaços públicos, seja na comunicação, defesa de direitos ou liderança comunitária. A formação visa fortalecer a capacidade de proteção, resposta e resiliência dessas mulheres diante de ameaças digitais, violência online e desinformação, promovendo segurança e apoio transnacional em toda a América Latina.
Critérios de Seleção e Participantes
A Repcone destina-se a mulheres negras (pretas e pardas), indígenas e de comunidades tradicionais (quilombolas, ribeirinhas, caiçaras, de terreiro, entre outras), atuantes como comunicadoras ou lideranças comunitárias, institucionais e organizacionais no Brasil e na América Latina. Terão prioridade mulheres em contextos de invisibilidade estrutural e maior risco devido à sua atuação pública. Serão selecionadas 30 participantes, incluindo jornalistas, ativistas, lideranças e pesquisadoras, com foco na diversidade de perfis, territórios e identidades da região. A confirmação da seleção será enviada por e-mail e WhatsApp.
Estrutura do Programa
A formação da Repcone é estruturada em quatro frentes integradas: aulas virtuais sobre segurança digital, resposta a incidentes, proteção de dados e enfrentamento à desinformação; proteção e cuidado, com apoio psicossocial e orientação jurídica especializada; resposta rápida, com protocolos de atuação diante de ataques e assédio online; e infraestrutura tecnológica. O programa inclui quatro aulas online com acessibilidade em Libras e tradução para português e espanhol. Adicionalmente, as participantes contarão com oficinas presenciais no Rio de Janeiro e no Peru, apoio financeiro para replicar o conhecimento em seus territórios e acesso a inteligência artificial para proteção digital.
Latinas IA
A iniciativa também prevê o lançamento do Latinas IA, uma ferramenta de inteligência artificial criada pela Rede de Jornalistas Pretos para oferecer apoio e proteção a mulheres em ambientes digitais.


