Pesquisadores, profissionais e estudantes de comunicação, juntamente com representantes da radiodifusão pública brasileira, reuniram-se no Rio de Janeiro para o 7º Simpósio Nacional do Rádio. O evento, com o tema “Rádio Nacional 90 anos: memória, inovação e futuros da mídia sonora”, ocorreu no Palácio Gustavo Capanema, promovendo discussões sobre o presente e o futuro do meio no país.
Inovação e o Legado da Radiodifusão
Promovido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e pelo Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom, o simpósio instigou reflexões sobre as permanências e as rupturas do rádio diante das profundas transformações tecnológicas, culturais e políticas que moldam a comunicação contemporânea. A EBC, com a Rádio Nacional como uma de suas marcas históricas, desempenha o papel de cabeça de rede da comunicação pública nacional. A abertura do evento sucedeu o Encontro da Rede Nacional de Comunicação Pública, que congregou cerca de 330 emissoras de rádio e televisão, tanto públicas quanto privadas.
Rádio como Instrumento de Cidadania, Especialmente na Amazônia
As primeiras mesas de debate abordaram a memória, inovação tecnológica, produção de conteúdo em áudio, comunicação pública e o impacto social do rádio, notadamente na Amazônia, onde aproximadamente 80% da população mantém o hábito de ouvir rádio diariamente. A radialista Mara Régia, uma das vozes mais aplaudidas, enfatizou a importância histórica da Rádio Nacional da Amazônia e sua profunda conexão com ribeirinhos, indígenas e moradores de áreas isoladas da Região Norte. Ela ressaltou que o rádio transcende a mera informação, atuando como companhia, serviço e socorro, fortalecendo o senso de pertencimento onde, por vezes, o Estado não alcança. A emissora também contribuiu significativamente para a construção da identidade cultural em um país continental, servindo como ponte entre os povos.
Credibilidade, Agilidade e Adaptação na Era Digital
As discussões no simpósio também exploraram a evolução tecnológica da mídia sonora, desde o rádio AM até os formatos digitais como podcasts. O jornalista Heródoto Barbeiro sublinhou a perene relevância do rádio, atribuindo-a à sua notável capacidade de adaptação e à relação direta estabelecida com os ouvintes. Ele destacou a credibilidade e a agilidade que historicamente caracterizam o rádio brasileiro, afirmando que o meio consegue atravessar gerações sem perder sua essência, mantendo um presente vibrante e um futuro promissor. Barbeiro também relembrou o respeito imediato de autoridades e agentes culturais pelo rádio, evidenciando sua importância como canal primário de informação.
Pioneirismo Feminino na Radiodifusão Esportiva
Outro ponto alto da programação foi a participação da jornalista esportiva Luciana Zogaib, da Rádio Nacional, reconhecida como a primeira mulher a narrar uma partida de futebol no rádio brasileiro. Sua trajetória foi apresentada como um marco na expansão do espaço feminino na radiodifusão esportiva. Luciana compartilhou os desafios enfrentados em um ambiente predominantemente masculino, sublinhando a importância de abrir caminhos e inspirar novas gerações de mulheres na comunicação esportiva.




