A oito meses das eleições, a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à reeleição reúne a maior parte da centro-direita em São Paulo, sustentada pelo favoritismo nas pesquisas e pelo controle da máquina pública, mas convive com disputas internas na base aliada. A oposição, por sua vez, segue sem um nome competitivo e ainda traça estratégias para a disputa.
Além do Republicanos, o governador deve contar com o apoio do PL, da federação PP-União Brasil, do PSD, de Gilberto Kassab, seu secretário de Governo, do MDB e do Podemos.
Dirigentes atribuem a força da aliança aos índices positivos de avaliação e à estrutura administrativa do governo. Na última pesquisa Quaest para o governo paulista, de agosto passado, o governador obteve 43% das intenções de voto —em um cenário em que Geraldo Alckmin (PSB) ficou com 21% e Erika Hilton (PSOL) com 8%.
Tarcísio chega ao ano eleitoral tendo superado a maior parte dos problemas com aliados nos campos político e administrativo.
Ao longo do último ano, prefeitos da base se queixaram da demora na liberação de recursos para obras e convênios em municípios do interior. Como mostrou a Folha, gestores chegaram a organizar encontros para expressar insatisfação.
O governador promoveu mudanças na articulação política para destravar a relação com aliados e acelerar a execução de projetos nas cidades. Substituiu, na Casa Civil, Arthur Lima por Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos e ex-titular da mesma pasta no governo Paulo Hartung no Espírito Santo.
O novo secretário é considerado na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) um negociador habilidoso. “Eu preciso de um perfil mais político para organizar a jornada que vem”, afirmou Tarcísio em janeiro.
A reorganização também busca administrar demandas na base. Cinco partidos disputam três postos principais: o de vice-governador e as duas vagas ao Senado.
O PSD detém hoje a vice, ocupada por Felício Ramuth, considerado o preferido de Tarcísio. A relação com o PL foi tensionada após Kassab, pelo PSD, lançar em janeiro três pré-candidatos à Presidência, em vez de apoiar Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em evento do banco BTG, na semana passada, Kassab ironizou: “Nessa [eleição nacional] o Tarcísio vai me desculpar, mas nós vamos dar um coro nele”.
Além disso, ao filiar seis deputados estaduais do PSDB, o PSD entrou em atrito com Republicanos, MDB e PP. Um aliado do governador afirmou à Folha que Kassab teria de aprender a não querer ter tudo.
O PL intensificou a disputa pelo posto de vice com a candidatura do presidente da Alesp, André do Prado. “Hoje está mais entre o Felício e eu”, disse.
A sigla argumenta que oferece maior tempo de TV, recursos partidários e a maior bancada estadual.
Tarcísio tem buscado conter as pretensões. “O PL é superimportante para nós. É óbvio que temos de ver também que vamos apoiar o candidato à Presidência da República do PL”, afirmou o governador na semana passada, em evento no Palácio dos Bandeirantes, sinalizando que o espaço pode ser limitado.
Se vencer, Tarcísio estará no segundo mandato e não poderá tentar nova reeleição. Um dos maiores motivos do interesse dos aliados no posto de vice decorre da possibilidade de assumir o governo caso ele renuncie para buscar outro cargo, como a Presidência.
Outras legendas também se movimentam. O governador recebeu o presidente do MDB, Baleia Rossi, na semana passada. O PP, que reclamou da falta de apoio às prefeituras de seus filiados no fim do ano, se reaproximou. No União Brasil, o presidente da sigla na capital paulista, Milton Leite, mantém diálogo com o governo.
Uma das vagas ao Senado já foi reservada ao ex-secretário da Segurança Pública Guilherme Derrite (PP). A segunda permanece em aberto.
No campo da oposição, o cenário é mais nebuloso. Embora PT, PSB e PSOL mantenham aliança formal, dirigentes admitem incertezas sobre a candidatura ao governo.
Em janeiro, um dirigente petista afirmou, sob reserva, que a prioridade é garantir votos a Lula no estado, diante da avaliação de que Tarcísio é favorito. A preocupação é que uma vitória ampla fortaleça Flávio Bolsonaro. O petista se preocupa em perder votos do eleitorado paulista caso não leve a disputa do governo estadual ao segundo turno.
Lula e a cúpula nacional do PT defendem candidatura própria, avaliando que o número 13 na cabeça de chapa ajuda a atrair votos. A direção estadual aceita apoiar um nome externo.
Pressionado, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) resiste a disputar o governo, mas admite concorrer ao Senado, segundo aliados.
Também são cogitados o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ministros Márcio França (PSB), Marina Silva (hoje na Rede) e Simone Tebet (MDB). Alckmin prefere ficar como vice do que enfrentar nova eleição.
Tebet é apoiada para se lançar ao governo estadual por uma ala do PT. Para isso, além de mudar o domicílio para São Paulo, ela terá que mudar de partido. O PSB já fez um convite formal a ela, mas, nos bastidores, Márcio França tem defendido que seja ele o candidato ao Palácio dos Bandeirantes.
O nome de França, no entanto, não tem sido cogitado pelos petistas, segundo apurou a Folha com um membro da direção nacional do PT.
Dirigentes ouvidos pela reportagem veem poucas chances de surgir um outsider capaz de romper a polarização. O partido Missão, ligado ao MBL, avalia lançar o deputado federal Kim Kataguiri.
Já o PSDB, que governou o estado por 28 anos antes da eleição de Tarcísio, não tem discussões para lançar um candidato ao governo. “Nossa prioridade é criar uma chapa de deputados”, disse o ex-deputado federal José Anibal. O receio do partido é não atingir, neste ano, a cláusula de barreira, que é de ter no mínimo 13 deputados federais ou 2,5% dos votos totais.



















