O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reafirmou nesta quinta-feira (18) seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência em 2026 e disse que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está tentando se mostrar aberto ao diálogo com o mercado e indicando a promessa de uma linha econômica como a de Paulo Guedes no governo de seu pai.
Preferido por políticos do centrão e expoentes da Faria Lima, Tarcísio fez um evento no Palácio dos Bandeirantes para exaltar as ações de seu governo apresentando um balanço de 2025 e destacando os avanços na segurança —uma das pautas que devem marcar as eleições do ano que vem.
Questionado se a iniciativa seria um marco inicial da pré-campanha, Tarcísio negou. “É só o balanço que fazemos todo ano.”
Em relação à candidatura de Flávio, o governador disse que ele “está tentando demonstrar que é um cara aberto ao diálogo”. “Se eleito, é um presidente que vai dialogar com governadores de oposição, com o Congresso, com o Judiciário. Ele está dizendo que está pronto para conversar com o mercado, que vai ter uma linha na economia como Paulo Guedes. Flávio está dando as diretrizes para seguir em frente.”
Tarcísio já havia manifestado apoio ao senador em 8 de dezembro, depois de Flávio anunciar que havia sido escolhido pelo pai como candidato do bolsonarismo em 2026. A indicação do filho do ex-presidente acabou se tornando um revés para o governador, cujos aliados nutriam a expectativa de que ele fosse escolhido por Bolsonaro como sucessor para o próximo ano.
Os problemas no fornecimento de energia elétrica na capital paulista, que foi alvo de disputa de narrativas políticas com o governo Lula (PT), foram abordados pelo governador, que atacou o desempenho da Enel e afirmou que a concessionária “não tem condições” de continuar prestando os serviços.
“Ela perdeu completamente a sua reputação. Não há mais confiança. É uma empresa que não vem pagando as suas multas, que não vem executando a sua manutenção, que não vem investindo em material, que não vem investindo em equipe e que não vem investindo em automação”, afirmou
Tarcísio enalteceu dados de São Paulo na segurança pública, focando sua fala no avanço dos recursos tecnológicos e destacando as contratações nas polícias. Ele também comemorou a taxa de homicídios de São Paulo, a menor entre os estados do país (6,4 mortes por 100 mil por habitantes, contra média nacional de 21,2).
O estado, porém, registra a maior quantidade de homicídios ocultos, segundo dados do Atlas da Violência. A categoria contabiliza mortes violentas sem causa determinada e inclui possíveis homicídios. São Paulo teve 4,8 dessas mortes por 100 mil habitantes, contra a média nacional de 1,7. Somados, todos os índices de homicídio deixam São Paulo na segunda colocação.
Segundo o governador foram incorporados 2.518 policiais militares e serão empossados 500 delegados da polícia civil ainda esta semana. Ao todo, Tarcísio afirmou que foram contratados mais de 7.500 policiais civis nos últimos dois anos, o que equivaleria a 30% da corporação.
Em sequência, o governador negou que facções criminosas tenham controle dos presídios do estado de São Paulo. “Não há mais. Esse tempo passou. Hoje, o estado controla os presídios”, afirmou.
A apresentação do balanço foi dividida em temas, que incluíram, além da segurança pública, áreas como educação, programas habitacionais, combate à pobreza, saúde, violência contra mulher, agronegócio e saneamento básico.
Neste último ponto, Tarcísio enalteceu a privatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), citando uma premiação internacional concedida ao governo em Nova York, sem especificar qual.
Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada na terça-feira (16), Flávio poderia tirar Tarcísio de eventual segundo turno caso ambos disputassem a Presidência em 2026.
No cenário de primeiro turno que inclui o congressista e o chefe do Executivo paulista, Flávio tem 23%, e Tarcísio, 10%, enquanto Lula fica com 41%.
No segundo turno, Lula marca 10 pontos de vantagem sobre ambos. O petista aparece com 46% das intenções de voto, enquanto o filho do ex-presidente registra 36%. Em confronto com o governador, Lula venceria com 45% ante 35% de Tarcísio.






















