Tratando da divulgação, pela Polícia Federal, das conversas de Eduardo Bolsonaro com seu pai, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reclamou, perguntando “onde o Brasil vai parar” com esse tipo de conduta (da PF).
Errou o alvo. Deveria ter perguntado a que ponto se chegou com um deputado tratando de assuntos de Estado com linguagem de gafieira com um ex-presidente da República.
Tarcísio precisa calcular até onde levará sua gratidão a Bolsonaro.
A astúcia de Braga Netto
O general Walter Braga Netto chegou à quarta estrela e ocupou o Ministério da Defesa. Com tamanho desempenho, seria o caso de pensar que soubesse cuidar da sua segurança.
No dia 9 de fevereiro de 2024, quando Alexandre de Moraes havia proibido que os dois se comunicassem. O general da reserva mandou a seguinte mensagem a Bolsonaro:
“Estou com este número pré pago para qualquer emergência. Não tem zap.”
Esperto, Braga Netto desconsiderou a possibilidade da apreensão do celular de Bolsonaro.
Ex-interventor na segurança do Rio de Janeiro, o general não aprendeu nada.
Recordar é viver
Os Bolsonaro falam ao telefone como se estivessem num palanque. Pretendem praticar uma nova forma de política. Tudo bem, mas deveriam seguir os conselhos de dois grandes políticos da segunda metade do século 20, Tancredo Neves (1910–1985) e Petrônio Portella (1925 -1980). D. Eugênio Sales (1920- 2012), arcebispo do Rio de Janeiro, ia mais longe.
Tancredo explicava: “Não falo nada relevante ao telefone porque fui ministro da Justiça”.
Petrônio ia mais longe, falava. Mas quem entrasse na linha nada entendia. Coisa mais ou menos assim: “Falei com nosso amigo e ele concordou. Vamos nos encontrar na casa dele e vou levar aquele papel que você me deu”.
D. Eugênio falava para o grampo. Se alguém o procurava para interceder por um irmão preso, pedia que lhe telefonasse mais tarde repetindo o pleito. Depois de ouvi-lo, o cardeal dizia:
“Não se preocupe, o general Reynaldo [Reynaldo Mello de Almeida, comandante da guarnição do Rio de 1974 a 1976] é um bom cristão e nada deverá acontecer ao seu irmão. De qualquer forma mantenha-me informado.”
D. Eugênio assegurava que esse método era eficaz.
Os Bolsonaro ajudaram a anistia
Com sua tese da “anistia light”, Eduardo Bolsonaro pôs uma cereja no bolo de quem articula uma anistia para a infantaria do 8 de Janeiro, deixando de fora o ex-presidente e seu estado-maior golpista.
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