A estratégia de reta final de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para as eleições de meio de mandato, que acontecem no dia 3 de novembro, passou por uma mudança repentina nesta sexta-feira, 30. As chamadas midterms, que vão renovar todas as 435 cadeiras da Câmara, um terço do Senado e um sem número de cargos estaduais e municipais, serão decisivas para definir a envergadura de seu poder nos dois últimos anos na Casa Branca.
No caminho para o seu 25º comício de campanha eleitoral deste mês, na Carolina do Sul, o mandatário e sua equipe decidiram cancelar suas aparições presenciais em eventos no Kansas e em Iowa, neste final se semana. Ao invés disso, ele disse que realizaria discursos por telefone.
A justificativa para o cancelamento seria otimizar a agenda do mandatário americano na reta final das eleições, depois de uma maratona exaustiva de comícios em estados conservadores em diferentes regiões do país. Ao suspender sua participação, o republicano também disse que não precisaria ir ao Kansas porque o senador republicano Roger Marshall, que concorre à reeleição, estava “se saindo muito bem”.
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A mudança para o formato virtual foi recebida com alívio por alguns setores do Partido Republicano. Segundo a agência de notícias Reuters, correligionários do presidente avaliam que as participações por telefone e eventos virtuais seguem roteiros mais rígidos, evitando que Trump divaggue sobre tópicos obscuros, como os testes cognitivos que ele afirma ter superado (Barack Obama não, segundo ele), o salão de baile da Casa Branca, e até o traseiro do candidato ao Senado Jon Husted (“um monte de músculos”).
Com a alteração, Trump pretendia manter o foco em eventos virtuais promovidos pelo super PAC MAGA Inc., fazendo campanha para candidatos em 19 estados. No entanto, menos de 24 horas depois, a decisão foi revertida e os comícios presenciais no Kansas e em Iowa foram remarcados para o domingo.
A reviravolta ocorreu após Trump demonstrar irritação com a cobertura da imprensa sobre os cancelamentos e rebater repórteres que o questionaram sobre seu cansaço. “Vocês estão me acompanhando há duas semanas. Estou me sentindo ótimo”, disse Trump quando perguntado sobre o ritmo da campanha.
Exigindo a retomada dos eventos, o presidente fez com que sua equipe, que havia acabado de realizar as alterações na agenda, se mobilizasse para recolocar os eventos em Iowa e Kansas no calendário. “Os comícios estão de volta!” diz um comunicado confirmando a mudança.
O episódio reforçou o quanto o cenário eleitoral do Partido Republicano depende dos caprichos pessoais de Trump. Embora tenha visitado quase todos os estados com disputas para o Senado e acumulado um total de 28 comícios desde o início de outubro, o presidente oscilou entre o entusiasmo com as multidões e queixas sobre o ritmo desgastante.
Em particular e em declarações públicas, Trump reconheceu o impacto da rotina exaustiva em sua voz e desabafou sobre a intensa carga de trabalho exigida em uma campanha na qual ele próprio não é o candidato.
Fonte: Abril

