Decisão atende a exigências legais e estatutárias do partido; benefício ao ex-presidente havia sido alvo de questionamentos jurídicos e políticos.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou nesta quarta-feira (27) que o partido decidiu cortar o salário mensal de aproximadamente R$ 46 mil que vinha sendo pago ao ex-presidente Jair Bolsonaro desde o início de 2023. Segundo Valdemar, a medida foi tomada após avaliação jurídica interna e atende “estritamente ao que determina a lei e o estatuto partidário”.
“Cumpri a lei”, afirmou o dirigente, ao comentar publicamente o fim do pagamento. De acordo com ele, a remuneração era justificada inicialmente como uma espécie de apoio institucional ao ex-chefe do Executivo, que teria papel de consultor e mobilizador político dentro da legenda. Contudo, pareceres recentes apontaram que o pagamento poderia ferir regras de prestação de contas e de uso de recursos partidários.
Bolsonaro, que já enfrenta uma série de processos e inquéritos no Supremo Tribunal Federal, além de estar inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vinha tratando o salário como uma forma de se manter financeiramente após deixar o Planalto. Com o corte, aliados afirmam que o ex-presidente deve buscar novas formas de sustento, incluindo palestras, livros e eventos políticos.
Nos bastidores, a decisão teria causado desconforto entre apoiadores mais próximos do ex-presidente, que veem o corte como um distanciamento progressivo do PL em relação à figura de Bolsonaro. Valdemar, porém, negou qualquer ruptura e afirmou que o partido continuará “abraçando e defendendo” o ex-presidente, mas dentro das regras estabelecidas.
Especialistas em direito eleitoral afirmam que o episódio evidencia maior rigor na fiscalização do uso de recursos partidários. “Os partidos têm sido pressionados a justificar cada gasto, principalmente quando se trata de figuras públicas de grande impacto político”, explica um analista ouvido por nossa reportagem.
O PL não detalhou se Bolsonaro continuará exercendo algum papel formal ou remunerado na estrutura partidária. Até o momento, o ex-presidente não se manifestou oficialmente sobre o corte do salário.


