O zagueiro Manoel, campeão da CONMEBOL Libertadores de 2023 e da CONMEBOL Recopa de 2024 pelo Fluminense, acionou o clube carioca na Justiça do Trabalho com uma pedido de R$ 11,8 milhões.
O jogador cobra premiações, bichos, férias, FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), além de culpar o clube por uma lesão e pedir indenização por acidente de trabalho e danos morais. O processo foi aberto na semana passada, no Rio de Janeiro, e o time das Laranjeiras ainda não foi notificado.
A ESPN aguarda um posicionamento do Fluminense desde a quarta-feira (7). O clube carioca, contudo, afirmou que não irá se manifestar.
Representado na Justiça pelo advogado Filipe Rino, Manoel defendeu a equipe por cinco anos, atuando em 118 partidas e tinha um salário de R$ 182 mil no início do vínculo, subindo pra R$ 261 mil em 2023. Ainda recebia mais R$ 39 mil em direitos de imagem. Seu contrato acabou no fim de 2025, quando era reserva.
Na Justiça, o jogador responsabiliza o clube por um acidente de trabalho que, segundo ele, teve início em maio de 2025, após partida contra o Vasco, quando Manoel sentiu um desconforto no joelho esquerdo. Na ocasião, os exames do departamento médico do Flu não constataram lesão. Ele, então, seguiu treinando e jogando normalmente.
Porém, em outubro, Manoel diz que sentiu um estalo e fortes dores no local novamente, em meio a um treino. Foi diagnosticada, então, uma lesão grave, e o zagueiro decidiu realizar uma cirurgia. Momentos antes, o Flu pediu que ele assinasse um termo isentando o clube de responsabilidade. E, após o procedimento, a equipe tricolor lhe disse que seria “por sua conta e risco”.
O tratamento seria de cinco meses, mas o jogador diz que, depois de apenas dois meses, o Fluminense registrou a baixa em sua carteira de trabalho – como já estava previsto. Manoel continuou se reabilitando nas dependências do clube até o fim de março, quando recebeu alta médica.
Quase metade da cobrança de Manoel na Justiça é por um pedido de Estabilidade Provisória, pois o atleta alega que foi demitido sem ter gozado do prazo mínimo de 12 meses estabelecido por lei. Para a defesa do zagueiro, seu contrato de trabalho deveria ter sido garantido pelo acidente de trabalho ao qual ele foi exposto com a lesão.
Assim, por conta de todo o episódio de sua lesão e da saída em meio ao tratamento, o jogador diz que o Flu não contratou um seguro obrigatório desportivo e pede a condenação do time tricolor de R$ 3,1 milhões e mais uma indenização substitutiva à estabilidade provisória, de R$ 5 milhões.
Em bichos, como pelo título da Libertadores, ele cobra mais R$ 550 mil. Ainda pede pelo FGTS não depositado do periodo, que soma mais R$ 640 mil. As férias cobradas estão na casa dos R$ 600 mil, além de multa de R$ 261 mil, danos morais de R$ 100 mil e mais R$ 1,5 milhão de honorários.
Manoel pediu Justiça gratuita no processo, que soma a cobrança total exata de R$ 11.863.377,57.
Durante o período em que esteve no Fluminense, além da grave lesão, Manoel enfrentou período afastado por doping, após ser punido por oito meses, entre 2023 e 2024, por ter testado positivo, de maneira acidental, por “ostarina”.
Na quarta, o próprio jogador usou sua conta nas redes sociais para agradecer o Fluminense pela passagem. “Saio honrado, com grandes títulos conquistados, gols marcados, que ficarão para sempre na minha memória. E também ‘louco da cabeça’. Gratidão eterna à instituição Fluminense, seus funcionários, companheiros e toda sua torcida”, disse ele, em vídeo.
