A IBM, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, registrou uma queda de 19% em sua receita no Brasil no terceiro trimestre de 2026, desconsiderados os efeitos cambiais. O resultado contrasta com o desempenho global da companhia, que cresceu 5,6% na mesma base de comparação. Os números, identificados pelo Radar Econômico nos documentos apresentados pela multinacional à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais americano, revelam uma deterioração significativa dos negócios brasileiros.
A mudança chama atenção pela velocidade. No segundo trimestre, a receita da IBM no Brasil havia crescido 39,8%, também sem os efeitos do câmbio. Em apenas três meses, portanto, a companhia passou de uma forte expansão para uma retração de dois dígitos na comparação anual. Pelos valores nominais, a queda no terceiro trimestre foi de 15,7%.
O desempenho brasileiro também destoou do restante das Américas, onde a receita da IBM avançou 5,3% entre julho e setembro. Nos Estados Unidos, principal mercado da companhia, o crescimento chegou a 6,6%. A América Latina, por sua vez, registrou retração de 4,3% em moeda constante, influenciada pelo desempenho negativo do Brasil.
Apesar da queda recente, a operação brasileira ainda acumula crescimento de 18,2% nos nove primeiros meses de 2026, ou 12,4% descontada a variação cambial. O resultado reflete a expansão registrada anteriormente, especialmente no segundo trimestre, e mostra que a retração mais recente ainda não foi suficiente para eliminar os ganhos acumulados ao longo do ano.
O balanço global oferece algumas pistas sobre as oscilações do negócio, mas não esclarece o que aconteceu especificamente no Brasil. A divisão de infraestrutura da IBM cresceu 4,2% no terceiro trimestre, embora a receita com mainframes IBM Z tenha recuado 19,6% mundialmente. A companhia atribui esse desempenho ao ciclo de seus produtos. Não há, porém, informações suficientes para determinar se esse fator explica a queda brasileira.
Procurada pelo Radar Econômico, a IBM foi questionada sobre eventuais adiamentos de contratos, antecipação de vendas, desempenho das diferentes áreas e perspectivas para os negócios no Brasil. A empresa afirmou que as taxas de crescimento dos períodos anteriores já estavam disponíveis nos documentos públicos e que não tinha informações ou comentários adicionais a acrescentar.
Fonte: Abril


