Foi dramático, com momentos de desespero antes da queda. Pouco mais de 2 horas e 45 minutos depois de decolar de Austin, no Texas, o jato executivo Bombardier Learjet 60, um dos mais vendidos em sua categoria, caiu como faca, em ângulo praticamente reto, no domingo 1º, na região sudoeste de West Palm Beach, na Flórida. Uma bola de fogo emoldurou o horizonte, em viagem com destino às Bahamas que terminou em tragédia. Suspeita-se de excesso de gelo, de formação repentina, e tempestade abrupta como motivos do acidente. As nove pessoas a bordo, entre elas um casal e dois filhos pequenos, de 4 e 2 anos de idade, morreram — e pelo menos 600 pessoas, nas cercanias do desastre, foram desalojadas.
Os diálogos finais do piloto com a torre de controle revelam o tamanho da desgraça: “Estamos descendo 8 000 pés, socorro! socorro!… estamos descendo 10 000 pés por minuto… estamos em excesso de velocidade, descendo a 20 000 pés por minuto… vamos nos chocar contra o solo. Estamos descendo 22 000 pés numa inclinação de 60 graus”. A copiloto da aeronave era Nathalia Gadelha Filgueiras, de apenas 20 anos, filha de pais brasileiros. A moça obteve licença de piloto privado com apenas 17 anos, em 2023, antes mesmo de ter carteira de motorista.
O fato inusitado fez com que ela fosse notícia na imprensa local. “Com certeza me gabo porque as pessoas dizem: ‘ah, você não sabe dirigir’, e eu respondo: ‘sim, mas eu sei voar’.” Seus sonhos foram interrompidos.
Publicado em VEJA de 6 de novembro de 2026, edição nº 3020
Fonte: Abril


