O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgou, nesta quarta-feira (25), um relatório alarmante revelando que 129 profissionais de imprensa perderam a vida no exercício da profissão ao longo de 2023. Este total representa o maior número de mortes já documentado pela organização em mais de três décadas de registros.
A sede da organização em Nova York aponta que dois terços dessas mortes, ou seja, 86 jornalistas, são atribuídas às Forças de Defesa de Israel. A maioria dos óbitos, 104, ocorreu em zonas de conflito, com cinco países concentrando 84% dessas tragédias: Israel (86 profissionais), Sudão (9), México (6), Rússia (4) e Filipinas (3). Embora Ucrânia e Sudão tenham registrado aumento de vítimas, a maioria esmagadora refere-se a jornalistas palestinos.
O CPJ destaca que a impunidade é um dos principais catalisadores para o aumento desses assassinatos, afirmando: "O crescente número de mortes de jornalistas em todo o mundo é alimentado por uma cultura persistente de impunidade para ataques à imprensa: muito poucas investigações transparentes foram conduzidas." A organização complementa que a falha dos governos em proteger a imprensa e responsabilizar os agressores fomenta mais assassinatos, mesmo em nações não envolvidas em guerras, citando casos na Índia, México e Filipinas.
Jodie Ginsberg, presidente da organização, enfatiza a relevância do acesso à informação, especialmente em tempos de ataques à imprensa, que são indicadores de ameaças a outras liberdades. Ela reforça a necessidade de mais ações para prevenir tais mortes e punir os responsáveis, alertando: "Todos nós estamos em risco quando os jornalistas são mortos por veicular uma notícia." O Comitê reitera que o assassinato de jornalistas viola o direito internacional humanitário, que os classifica como civis, protegidos de ataques deliberados.
Casos Emblemáticos de Vítimas
Entre os casos detalhados pelo CPJ, destacam-se os assassinatos de Hossam Shabat, correspondente palestino de 23 anos da Al Jazeera, e Mohammad Mansour, da TV Palestine Today, ambos mortos por forças israelenses. Shabat foi vítima em março de 2023 durante um ataque israelense ao seu veículo próximo ao hospital Beit Lahia, no Norte de Gaza. Ele era um dos jornalistas mais atuantes na cobertura do conflito em Gaza, sendo acusado por Israel de ser atirador do Hamas, sem apresentação de provas.
Outro caso citado é o de Anas al-Sharif, repórter da Al Jazeera, que alertou publicamente sobre ameaças à sua vida após difamações infundadas de Israel. Al-Sharif foi assassinado em agosto de 2023, junto com outros três jornalistas da Al Jazeera e dois freelancers, em um ataque a uma tenda de imprensa próxima ao Hospital Al-Shifa.
Outros Fatores e Regiões Críticas
Além de conflitos armados, o CPJ aponta a fragilidade do Estado de direito, a atuação de facções criminosas e a corrupção política como fatores que contribuem para as mortes de jornalistas em países como Bangladesh, Colômbia, Guatemala, Honduras, Índia, México, Nepal, Peru, Filipinas, Paquistão e Arábia Saudita.
Em algumas dessas nações, os assassinatos se tornaram uma rotina, com ao menos um jornalista morto anualmente no México e na Índia na última década. No mesmo período de cinco anos, Bangladesh, Colômbia e o contexto envolvendo Israel também registraram baixas anuais de profissionais de imprensa.
Ascensão dos Ataques por Drones
O CPJ também alerta para um aumento significativo nos ataques a profissionais de imprensa utilizando drones. O número de mortes causadas por drones saltou de duas em 2022 para 39 em 2023. Desde a invasão da Ucrânia em 2022, drones têm sido empregados em ataques e vigilância por ambos os lados. Em 2023, a Rússia intensificou o uso de drones para atacar civis, incluindo os quatro jornalistas mortos na Ucrânia, todos atingidos por drones russos.























