O candidato a presidente da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta terça-feira, 25, que, caso eleito, fará parcerias com países limítrofes ao Brasil para combate às organizações criminosas, já chamadas de mafiosas por especialistas, o que permite a entrada de polícias de vizinhos em operações contra criminosos. As declarações foram feitas em sabatina realizada pela TV Globo. “O que precisamos neste momento é que o presidente da República tenha estatura de presidente. E buscar entendermos que o Brasil não é produtor de cocaína, temos hub de narcotráfico na Amazônia, o que coloca em risco exportações brasileiras. Todos os limítrofes nossos são de centro-direita. O presidente da Colômbia já declarou (traficantes) como terroristas, o único lugar com resistência é o Brasil. Aqui é o resort do narcotráfico, a Disneylândia do narcotráfico”, disse o ex-governador de Goiás.
Na sequência, ele afirmou que, caso seja eleito, policiais estrangeiros poderão entrar no Brasil, desde que as investigações girem em torno de contrabando, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. “Eles têm toda liberdade de entrar no Brasil. Isso não compromete a soberania. Vamos tratar entre nós (América do Sul). Vou buscar parcerias para tecnologia, por exemplo. O governo federal não quer combater (crime). Entre narcotráfico e PT há ligação umbilical”, afirmou. Questionado pelos apresentadores da Globo se permitiria intervenção dos Estados Unidos, Caiado disse que não vê necessidade porque se unirá aos países vizinhos para combater o crime.
Anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro
Caiado também afirmou durante a entrevista de 40 minutos que encaminhará, caso eleito, uma proposta ao Congresso Nacional para aprovar a anistia aos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no episódio do 8 de Janeiro. “Tenho essa responsabilidade, sim. Eu sou democrata na essência, já ganhei eleições, perdi eleições, nunca contestei. Desde o Império temos anistia. Juscelino Kubitschek propôs anistia e foi trabalhar. O que quero dizer é que temos que pacificar o país. O clima está criando o processo de um contra o outro. Na última eleição, 38 milhões não foram às urnas. Então, posso dizer que encaminharei projeto ao Congresso de uma anistia ampla, geral e irrestrita”, disse o candidato do PSD.
Caiado disse querer governar e continuar no assunto de 8 de Janeiro é prejudicial ao Brasil. “Ninguém aguenta mais. A Aeronáutica tentou derrubar JK, ele disse ‘deixa eu trabalhar, deixa eu pensar no Brasil’. Veja, eu estou aqui com Brasil tomado pelas facções criminosas, todo endividado. É o colapso do Brasil, o cidadão desesperado. O que eu quero é debater conteúdo”, afirmou.
Corrupção, ajuste fiscal e crise econômica
Caiado também aproveitou o espaço para criticar Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição na disputa deste ano. Segundo ele, todo país acompanhou as denúncias, condenações e reportagens diárias sobre a Lava Jato e outros escândalos envolvendo governos petistas, como o Mensalão. “Tudo documentado e o Brasil está indignado”, disse. Ao ser questionado sobre ajuste fiscal, Caiado afirmou que a regra de um possível governo será atingir as despesas no máximo de 50% do Produto Interno Bruto (PIB). O candidato não detalhou, no entanto, áreas com possíveis cortes necessários para atingir as metas. Caiado afirmou que tratava no momento da questão macro. “O que eu tenho de incentivo fiscal? O que eu tenho de salário em excesso? O que tenho de emendas impositivas? Vou colocar o paciente na mesa, o Brasil”, afirmou. Posteriormente, o candidato do PSD disse que focará em combater corrupção e desvios, salários destorcidos, reforma administrativa e cortes nos Três Poderes.
A reforma tributária feita pelo governo Lula também foi alvo de Caiado durante a entrevista. Ele afirmou que ninguém quer burocracia e que todo país quer simplificar. “Chamaram um imposto até de imposto do pecado. Pecado quem faz é o Lula, um cheque sem fundo que o brasileiro está dando pra ele”, disse. Caiado ainda chamou Lula de “agiota” por criar programas como o Desenrola. Ele propôs ainda que se reveja as concessões de crédito com real diminuição dos juros. “Você tinha que perguntar para o Lula quando ele fala do Desenrola. Ele é que te enrolou. O Lula passou a ser o grande agiota no Brasil. E ele agora faz com que você esteja com taxa de juros mínima de 20%. Para qualquer banco que você for, você já gastou tudo, não conseguiu nada. Agora, o que está acontecendo? Ele vai fazer o seguinte: agora você pega o seu Fundo de Garantia (FGTS), que é a sua garantia, que é a sua poupança, e você vai pagar o agiota”, afirmou.
STF, INSS e Banco Master
Ao final da entrevista, Caiado pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que levante o sigilo dos casos que desgastam os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro (PL). “Eu pediria que eles refletissem bem e abrissem o sigilo do INSS, do caso Master, e juntassem a ele também toda essa parte do Carbono Oculto, para que nós não fôssemos amanhã enganados por pessoas envolvidas em graves crimes e que amanhã pudessem ser eleitas”, disse. No âmbito das investigações do escândalo de desvios de aposentados, há inquéritos que investigam Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Sobre Banco Master, o candidato Flávio ligou para Daniel Vorcaro para pedir dinheiro para arcar com despesas do filme Dark Horse, que homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro. Já a última operação envolve o Primeiro Comando da Capital (PCC) em uma investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Federal sobre ampliação do crime no mercado legal.
Histórico eleitoral
Está é a segunda vez que Caiado disputa a Presidência da República. A primeira foi em 1989, quando terminou na 10ª colocação e obteve 488.893 (0,72%) dos votos válidos. Naquele pleito foram 22 candidatos. Em 1990, ele foi eleito deputado federal por Goiás. Quatro anos depois disputou o Governo de Goiás, mas terminou em terceiro lugar. Entre 1998 e 2014, Caiado disputou apenas cargos no Legislativo, sendo eleito deputado federal em 1998, 2002, 2006 e 2010. Já em 2014, elegeu-se senador por Goiás, cargo que ocupou por apenas quatro anos porque venceu a disputa pelo Poder Executivo estadual em Goiás em 2018, sendo reeleito em 2022.




