O governo Donald Trump deu novos passos para assumir o controle sobre o lançamento de modelos de inteligência artificial (IA) de fronteira, passando a ditar quais empresas e entidades têm acesso às versões mais recentes dessas ferramentas. A informação foi apurada pela CNBC com duas fontes familiarizadas com o assunto.

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Até agora, essa decisão cabia às próprias empresas de IA estadunidenses. Anthropic e OpenAI eram as responsáveis por definir quem acessava seus modelos mais avançados — o que geralmente incluía grandes clientes corporativos.

A Anthropic apresentou seu modelo de cibersegurança, o Mythos, a um grupo restrito de parceiros por meio do Project Glasswing. A OpenAI, por sua vez, foi solicitada pela administração a restringir o lançamento recente do GPT-5.6 e mantém um consórcio semelhante, chamado Daybreak, para seu modelo de cibersegurança.

Um oficial da Casa Branca disse à CNBC que o governo não fornece aprovações para lançamentos de IA de empresas privadas. Segundo o oficial, quaisquer engajamentos, testes ou reuniões com especialistas do governo são “voluntários” e “as decisões sobre o momento e o escopo dos lançamentos cabem inteiramente às empresas”. O oficial remeteu à CNBC o recente decreto executivo do presidente Trump.

“A administração continua colaborando com todos os laboratórios de fronteira estadunidenses para fortalecer a segurança dessa tecnologia sem sufocar a inovação”, escreveu o oficial.

Celular com logomarca do Claude Mythos na tela colocado em cima de teclado de notebook
Anthropic apresentou seu modelo de cibersegurança, Mythos, a grupo restrito de parceiros por meio do Project Glasswing – Imagem: gguy/Shutterstock

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Bloqueios e negociações

  • No mês passado, porém, o governo Trump bloqueou o Claude Mythos 5 e o Fable 5 por “preocupações de segurança nacional”, restabelecendo o acesso semanas depois, após negociações intensas com a Anthropic;
  • Também no mês passado, a OpenAI anunciou que limitaria novos modelos de IA a “parceiros confiáveis” para atender a pedidos do governo;
  • Em junho, Trump assinou um decreto executivo pedindo que as empresas dessem ao governo acesso antecipado a modelos para fins de teste;
  • Nesta semana, a administração lançou seu próprio programa, chamado “Gold Eagle”, voltado à colaboração com o setor privado para identificar e corrigir vulnerabilidades cibernéticas.


O chamado clearinghouse colocaria a Casa Branca no comando de aprovar quais empresas podem acessar novos modelos de IA, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto, que falou sob condição de anonimato para discutir informações que não são públicas.

Segundo essa fonte, os lançamentos futuros exigirão aprovação explícita do governo para definir quais parceiros podem ser envolvidos. As iniciativas lideradas pelas empresas, como o Project Glasswing e o Daybreak, têm seu futuro em dúvida diante dessas movimentações.

O governo caminha sobre uma linha tênue em um momento em que ferramentas de IA sofisticadas representam riscos massivos de cibersegurança e modelos de código aberto mais baratos da China fecham rapidamente a distância em relação aos laboratórios estadunidenses de fronteira.

A startup chinesa Moonshot AI apresentou, nesta sexta-feira (17), seu modelo Kimi K3, que alcançou desempenho próximo ao do Fable e do GPT-5.6 e superou os modelos estadunidenses de fronteira em pelo menos um benchmark independente.

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David Sacks, fundador da Craft Ventures e ex-czar de IA da Casa Branca, classificou o avanço como “preocupante”. “É assim que se perde a corrida da IA”, escreveu. “O resto do mundo não vai jogar pelas nossas regras se nos atolarmos.”

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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